Oi pessoal!
Continuando a série de visitas-estudo ao Louvre, ontem me dediquei às pinturas francesas. É a maior coleção de pinturas do Louvre e consequentemente uma das maiores do mundo. Estimo que as telas ocupam cerca de 100 salas do museu. Como no caso das pinturas italianas, vou fazer uma breve descrição cronológica dos estilos, obras e autores.
A chamadas pinturas primitivas francesas datam dos séculos XIV e XV. Pouco numerosas (devido a guerras, mudança de gosto e destruição durante a Revolução Francesa), elas passaram a interessar os estudiosos da área relativamente tarde, até então eram ignoradas ou mesmo confundidas com obras de outros países. Como no caso da Itália (de um modo geral a pintura italiana é a pioneira, pelo menos até o século XVII), as telas retratam cenas religiosas com tons coloridos e dourado abundante. Uma obra importante é um retrato de perfil de Jean le Bon, segundo monarca da dinastia dos Vaulois, o mais antigo retrato individual na Europa. A arte de retratos individuais dominou a Europa no século XV, com Jean Fouquet destacando-se na França. Suas obras representam os modelos de uma forma mais moderna, chamada de 3/4, em que a pessoa aparece com o rosto ligeiramente virado. O efeito resultante é um maior realismo, pago com a maior dificuldade do trabalho. Talvez o mais célebre dos modelos de Fouquet foi Charles VII, coroado em Reims na presença de Jeanne d'Arc, após reconquistar a França das mãos inglesas graças a sua ajuda.
.JPG)
Portrait de Jean II le Bon, École de Paris
.JPG)
Portrait de Charles VII, Jean Fouquet
.JPG)
Retable de Saint-Denis, Henri Bellechose
A arte religiosa na França tinha seus principais ateliês na cidade de Avignon, transformada em sede do Papado em 1309 (até 1423). Nessa época, importantes artistas italianos vieram para a França, colocando a cidade no centro das atenções dos pintores da época. Além disso, as numerosas oportunidades de trabalho em igrejas, residências e palácios atraíram artistas de outros países que não a França, principalmente do Norte. À corrente resultante dessa mistura de estilos dá-se o nome de École d'Avignon.
Pietà de Villeneuve-lès-Avignon, Enguerrand Quarton
O Renascimento francês chegou tardiamente na pintura, por volta de 1530. Desde Charles VIII, era comum monarcas franceses convidarem artistas italianos para decorarem suas residências, como o célebre caso de Leonardo da Vinci em Amboise, convidado por François I, mas sua influência sobre os artistas locais era limitada. Isso mudou quando o mesmo François I decidiu redecorar o Château de Fontainebleau, trabalho que durou algumas décadas, o suficiente para se desenvolver uma École de Fontainebleau, através da qual a França entra no movimento do Maneirismo. Resumidamente, o Maneirismo é uma ruptura ao estilo rígido do Alto Renascimento, introduzindo o conflito, a sofisticação e o artificialismo. Ainda no contexto do Renascimento, ele pode contudo ser considerado como uma transição ao estilo Barroco dos séculos seguintes. A École de Fontainebleau particularmente possui uma arte elegante, refinada, com temas mitológicos e nus humanos comuns. Alguns nomes são Jean Cousin e Jean Clouet.
.JPG)
François Ier, roi de France, Jean Clouet
O Barroco na pintura tem como principal nome o italiano Caravaggio, cuja influência criou um estilo particular chamado de Caravagismo. Sua característica principal é o trabalho com a luz, criando fortes contrastes entre o claro e o escuro. As temáticas mais recorrentes eram as religiosas, seguidas pelas cenas de tavernas e de reuniões musicais. Georges de La Tour e os irmão Le Nain são os maiores nomes franceses da época.
.JPG)
La Madeleine à la veilleuse, Georges de La Tour
.JPG)
La Tabagie, Louis (ou Antoine) Le Nain
O século XVII é conhecido como o Grand Siècle, período em que Louis XIV, o rei Sol, sobe ao poder. Na segunda metade do século, durante o reinado de Louis XIV, há uma retomada dos valores clássicos, como a razão, a busca pela perfeição e temas mitológicos. Considerado o mais alto expoente do classicismo francês, Nicolas Poussin passou grande parte de sua carreira na Itália, tendo sido encarregado sob o reinado de Louis XIII (predecessor do rei Sol) da decoração da Grande Galerie du Louvre. Suas obras mais notáveis são L'Enlèvement des Sabines e o conjunto Les Quatre Saisons, este refletindo as temáticas naturais do final de sua carreira.
.JPG)
L'Enlèvement des Sabines, Nicolas Poussin
.JPG)
L'Automne, Nicolas Poussin
Outro grande nome é Charles Le Brun, nomeado Primeiro pintor do rei em 1664, encarregado por Louis XIV de obras no Louvre e em Versailles, entre outros. Reconhecido por retratar cenas épicas, ele se focava mais no traço que na cor propriamente dita, sendo adorado pelo rei Sol. Contemporâneo de Poussin, ele chegou a acompanhá-lo por alguns anos em seu ateliê em Roma.
.JPG)
Entrée d'Alexandre dans Babylone, Charles Le Brun
O breve período da Regência, logo após a morte de Louis XIV e antes do reinado de Louis XV, é marcado por um nome particular, Jean-Antoine Watteau, cujo estilo é igualmente particular, a "fête galante". Em suas obras, são retratadas pessoas da alta sociedade conversando, dançando ou jogando, com traços bem menos rigorosos que os do Classicismo, de certa forma mais sedutores.
.JPG)
Pèlerinage à l'île de Cythère, Jean-Antoine Watteau
O século XVIII é marcado por uma certa "sobreposição" de estilos. Por um lado, destaca-se o Rococó, uma arte "amável", leve, graciosa, cheia de curvas, com Fançois Boucher e Jean-Honoré Fragonard; por outro, o Iluminismo que revoluciona o meio intelectual chega às artes, trazendo seu ceticismo, de modo que a beleza passa a ser subjetiva, não mais imposta pela Academia. Não vou me estender muito pois, para ser sincero, eu ainda estou meio confuso sobre a diferença entre os estilos...
.JPG)
Les Baigneuses, Jean-Honoré Fragonard
No final do mesmo século XVIII, há uma nova retomada dos valores clássicos, num movimento chamado de Neo-Classicismo. O mais célebre dos pintores franceses desse estilo é Jacques-Louis David, com traços grandiosos e a busca pela beleza ideal. Tendo vivido em uma época conturbada da História francesa (ele nasceu sob Louis XV e morreu sob Charles X, assistindo e participando da Revolução Francesa e ao domínio Napoleônico), ele foi um artista engajado, retratando cenas mitológicas para inspirar os movimentos revolucionários. Uma de suas obras mais célebres é Le Sacre de l'empereur Napoléon Ier, que inclusive possui diversas cópias, um delas em Versailles.
.JPG)
Les Sabines, Jacques-Louis David
Le Sacre de l'empereur Napoléon Ier, Jacques-Louis David
O último movimento da pintura francesa com representantes no Louvre é o Romantismo. Como nas outras artes, ele vem como crítica ao Neo-Classicismo, mas não se pode traçar linhas gerais de suas características, visto que seus "seguidores" podiam possuir estilos bem diferentes. Um fator comum, contudo, pode ser mencionado: exprimir seus sentimentos pessoais, exaltando-os ao máximo. Dois artistas se destacam nesse contexto: Théodore Géricault e Eugène Delacroix. O primeiro é o autor do célebre Le Radeau de la Méduse, obra que representa um naufrágio em águas senegalenses, apresentando traços realistas com uma visão "moderna" do mundo, mesmo depois de toda sua "educação clássica". Eugène Delacroix é um dos mais famosos pintores franceses, particularmente conhecido por La Liberté guidant le peuple. Inspirado no estilo de Géricault, Delacroix também retrata cenas de importantes acontecimentos de sua época, como o caso das Três Gloriosas (Revolução de Julho), inspiração da obra mencionada (não, a tela não representa a Revolução de 1789).
.JPG)
Le Radeau de la Méduse, Théodore Géricault
.JPG)
La Liberté guidant le peuple, Eugène Delacroix
Mais uma vez, espero que tenham gostado e que não tenha dito bobagens.
À plus!!!