Oi pessoal!
Primeiro dia de viagem: sorte, frio, casa, Duna, corrente, Buda, labirinto, sauna, frio, neve, nevasca, arte, luzes, marché de Noël, neve, heróis, Champs-Élysées.
Como em minha viagem para a Grécia, tive que acordar bem cedo para pegar meu voo para Budapest, que saía de Orly às 6h55. Justamente nesses dias, uma onda de frio intenso chegou à Europa, o que trouxe neve a muitas das capitais, incluindo Paris. O problema é que a neve atrapalha os transportes, levando a cancelamentos de voos. Na véspera da viagem, confesso que já estava com medo, e quando cheguei no aeroporto, senti um frio na barriga. Várias pessoas em frente ao guichê da easyJet, reclamando. Pensei: "já era, meu voo foi cancelado". Por sorte imensa, era apenas o voo para Berlin, pois não tinha nevado nem em Paris nem em Budapest durante a noite, então as pistas estavam utilizáveis. Só um pequeno atraso na saída, para tirar o gelo de cima do avião.
O voo foi tranquilo, sem problemas, e a chegada a Budapest foi bem branca. A cidade ainda estava coberta de neve e estava frio. Muito frio. Cerca de -8ºC.
Meu avião, Budapest
Assim que saí do avião, comprei uns forintes e fui procurar o tal do ônibus 200E que me levaria até o metrô. Apesar da falta de indicações, consegui me virar bem. A propósito, fica a dica: Budapest não é a melhor das cidades no quesito indicações turísticas. Antes de ir para o albergue, passei na estação de trem, comprar o último bilhete que me faltava para toda a viagem. Esse bilhete vai ficar para a História...não consegui comprar pela net, nem na estação de trem aqui na França, nem consegui que minha amiga comprasse pra mim na Alemanha. E ainda virá mais...
Cheguei no albergue e, depois de um pequeno espanto pelas instalações atípicas (o albergue ficava em uma espécie de cortiço), levei outro espanto pela recepção 5 estrelas que tive. Eu era o único no albergue e fui tratado como um rei. Locais super limpos, bem decorados, aquecidos, direito a banheira, televisão e computador. Foi muito bom. Mas não podia perder meu tempo no albergue, tinha que aproveitar as poucas horas de luz para conhecer a cidade.
Prédio onde ficava meu albergue, Budapest
Budapeste é uma cidade bonita, mas não muito bem conservada. Pelo que a moça do albergue me disse, a Hungria está um pouco atrasada em relação aos outros países do Leste no quesito "desenvolvimento". De fato, isso é perceptível. É muito nítida a influência selvagem do capitalismo nessas cidades, que por décadas fizeram parte da URSS. A impressão que tive foi que assim que a URSS acabou, todas as grandes empresas correram para lá, afim de conquistar novos mercados. E em Budapest parece que essa influência foi mais sutil.
Originalmente duas cidades distintas separadas pelo Duna (Danúbio), Buda e Pest foram fundidas no século XIX. Em Buda, encontra-se a maior parte das atrações turísticas, enquanto em Peste está o comércio da cidade. Comecei minha visita por Peste, na verdade foi o caminho do albergue até o Duna. Passei pela Operaház e pela Szent István Bazilika, até chegar à bela e famosa Széchenyi lánchíd (Ponte da Corrente), que parece uma ponte com dois Arc du Triomphe no meio. Preciso lembrar que as ruas estavam cobertas de neve, algo a que me acostumei durante os 16 dias de viagem...
Szent István Bazilika, Budapest
Széchenyi lánchíd e Budai Vár, Budapest
Atravessando a ponte, temos uma bela vista de Budai Vár, o Palácio de Buda, que fica no alto de uma colina. Na verdade, esse palácio, como o de Praha, é uma espécie de burgo, ocupando uma boa área da colina. Obviamente eu subi a colina a pé, algo que se mostraria bem mais fácil que a descida...lá de cima, uma bela vista de Peste.
Colina em Buda, Budapest
Buda e Peste separadas pelo Duna, Budapest
Os pontos interessantes em Buda são, além do Palácio em si: Halászbástya, uma espécie de terraço com belas vistas da cidade; Mátyás templom, uma simpática igreja com um belo teto, que infelizmente estava em reforma parcial; e Budavári Labirintus, um conjunto de cavernas aberto ao público, passeio bem mais assustador que as Catacombes parisienses, principalmente pelo fundo musica de tambores. Ao entrar no Labirinto, pela primeira das n vezes (em que n é um número bem grande) durante a viagem, senti que entrava em uma sauna. A sensação é horrível. Você sai das temperaturas deliciosas do exterior e entra em um lugar quente e muito úmido. Resultado para um míope: óculos instantaneamente embaçados. Algo que me irrita profundamente.
Halászbástya, Budapest
Budavári Labirintus, Budapest
Budavári Labirintus, Budapest
Depois do meu passeio pelas cavernas de Buda, novo choque térmico, acompanhado de uma nevasca. A mais forte que já vi e provavelmente verei por um bom tempo. Em questão de minutos, o chão foi coberto de neve fresca e a visibilidade despencou. Aproveitei e entrei no Budai Vár, onde funciona a Galeria Nacional. Ela possui a maior coleção pública de obras documentando a arte húngara, principalmente pinturas dos séculos XIX e XX. Infelizmente fotos não são autorizadas.
Neve, Budapest
Budai Vár, Budapest
Como pude constatar, a neve não parou de cair desde que eu entrara no museu, o que resultou em uma bela e espessa camada de neve fresca no chão. Com exceção do ski em Chamonix, foi a primeira vez que vi e andei no meio de tanta neve. Mesmo à noite, uma nevasca tem seus charmes, principalmente em cidades e locais bem iluminados, como o caso de Budai Vár. A neve difratava a luz dos holofotes que iluminavam o palácio, resultando em efeitos quase artificiais (lembrava uma aurora). Uma pena que estava frio e a neve queria entrar na lente da câmera, caso contrário eu ficaria lá horas vendo e tirando fotos.
Budai Vár, Budapest
Budai Vár, Budapest
Széchenyi lánchíd, Budapest
Como eu disse, a descida da colina não foi tão fácil quanto eu imaginava. Em primeiro lugar, como havia muita neve, eu não conseguia ver direito o caminho e eu acabei me "perdendo" um certo momento. Além disso, pelo mesmo motivo, eu levei vários tombos, porque não dava pra saber qual o nível original do chão. Depois dos escorregões, finalmente cheguei ao Duna.
Neve, Budapest
Budai Vár, Budapest
Széchenyi lánchíd, Budapest
Antes de voltar para o albergue, dei uma volta pelo centro e fui ao Marché de Noël. Viajar nessa época, apesar do frio e da falta de luz, tem essa vantagem. Pude ver Budapest, Bratislava, Wien e Praha decoradas para o Natal e, melhor de tudo, visitar suas feiras de Natal. Nessas feiras, vende-se de tudo, mas principalmente comidas e bebidas (vinho quente). Nesse dia, acabei não comprando nada, principalmente por causa da neve que incomodava.
Centro, Budapest
Marché de Noël, Budapest
O último ponto visitado do dia foi a ampla Hősök tere, Praça dos Heróis, que lembra bastante um monumento no Parque del Retiro em Madrid. Ela fica na extremidade da Andrássy út, a Champs-Élysées de Budapest, de acordo com a moça do albergue. Entre nós que ela exagerou um pouco.
Hősök tere, Budapest
Andrássy út, Budapest
De volta ao albergue, jantei, tomei um agradável banho de banheira e assisti a um pouco de televisão, algo que não fzia há séculos.
Tschüss!!!