sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

22/12/2009: Wien

Oi pessoal!

Quarto dia de viagem: cem águas, Schubert, Belvedere, céu azul, Schrödinger, intestinos e corações, Mozart, Hofburg, paraíso, teatro, marché de Noël, arvore de papai-noel, Parliament, museus gêmeos, MuseumsQuartier, batata, moedas russas.
Acordei bastante animado nesse dia, ansioso para explorar a capital austríaca e super-motivado pelo céu azul e os resquícios de neve, a temperaturas próximas de 0ºC (por baixo, é claro). Eu tinha um bilhete de 48h de transporte, que aproveitei ao máximo. No fim, conheci quase todas as linhas de U-Bahn de Wien.
O primeiro lugar que visitei foi um conjunto de prédios interessante, chamado Hundertwasserhaus, literalmente Casa das Cem Águas. Com um estilo bem particular, os prédios eram todos coloridos e com formatos estranhos, com direito até a uma cabine telefônica londrina. De lá, fui até uma das residências de Schubert, uma das personalidades musicais da cidade e segui para a gigantesca Karlskirche, quase com torcicolo de tanto admirar as belas fachadas vienenses ao longo do caminho. Pelo que consta, ela é a maior catedral barroca da Europa do Norte, com um domo enorme e duas colunas na entrada. Infelizmente a entrada era paga e eu tinha bastante coisa para ver ainda.

Hundertwasserhaus, Wien

Fachadas, Wien

Fachada, Wien

Karlskirche, Wien

Segui então para o Schloss Belvedere, que fica bem perto do centro de Wien. O domínio é menor que o de Schönbrunn, mas há dois palácios, o Oberes e o Unteres Belvedere. Uma pausa para uma pequena lição linguística: Belvedere vem do italiano, referência a uma construção de onde se tem uma boa vista panorâmica; Oberes e Unteres sginificam Alto e Baixo, em Deutsch. Ambos são modestos, mas bem decorados e entre eles passamos pelos belos jardins. Bem, creio que eles sejam belos, mas não posso dar 100% de certeza pois eles estavam brancos, cobertos de neve (na verdade dava para ver um pouco do verde).

Strassenbahn Haltestelle, Wien

Oberes Belvedere, Wien

Entrada do Schloss Belvedere, Wien

Oberes Belvedere, Wien

Oberes Belvedere, Wien

Schloss Belvedere, Wien

Unteres Belvedere, Wien

Depois de descansar um pouco sob o sol de inverno, parti em direção ao centro da cidade. No caminho, passei pela Beethovenplatz, praça em homenagem ao compositor, onde fica também uma famosa escola, onde personalidades como Schrödinger e Schubert estudaram.

Ludwig van Beethoven, Wien

O centro de Wien é relativamente pequeno, em torno da Stephansdom, bela e grande igreja, onde estão guardados os intestinos dos monarcas austríacos. Isso mesmo, intestinos. Pelo que pesquisei, existem três igrejas importantes em Wien e em cada uma delas foi guardada uma "parte" dos monarcas. Os intestinos na Stephansdom, os corações na Augustinerkirche e os corpos na Kapuzinerkirche. Original, não? Bizarrices à parte, a igreja é bem decorada, como vocês podem ver abaixo.

Stephansdom, Wien

Stephansdom, Wien

De lá, fui para a parte mais bonita de Wien, a região do Schloss Hofburg, o antigo Palácio Imperial austríaco. No caminho, passei em frente ao Albertina, museu de arte impressionista que viria a visitar no dia seguinte, e a surpreendente Wiener Staatsoper. A construção ilustra perfeitamente a importância da música na cultura daquele povo. Imensa e imponente, ela estreou com Don Giovanni de Mozart, talvez o filho mais ilustre da Áustria. O prédio foi parcialmente destruído durante a 2ª GM, mas rapidamente reparado.

Albertina, Wien

Wiener Staatsoper, Wien

Hofburg é formado por vários prédios e, por sua posição central, não possui grandes parques como Belvedere ou Schönbrunn. Mas ele impressiona. Cada construção tem seu charme, eu gostei particularmente da Österreichische Nationalbibliothek e do Reichskanzleitrakt. Há dois pequenos parques ao redor, o Burggarten em frente à Österreichische Nationalbibliothek e o Volksgarten no lado oposto. Aproveitei para descansar um pouco e admirar a bela paisagem sob o sol. Do Volksgarten já era possível ver a enorme Rathaus.

Österreichische Nationalbibliothek, Wien

Nuvens e galhos, Wien

Neue Burg, Wien

Hofburg, Wien

Reichskanzleitrakt, Wien

Hofburg, Wien

Volksgarten, Wien

A Rathaus em si já era um espetáculo, com sua torre central gigantesca. Mas ainda havia três coisas interessantes lá perto. Primeiro, o Burgtheater, que vocês podem ver abaixo. Segundo, uma das maiores feiras de Natal da Europa, com direito a dezenas de barracas e árvores enfeitadas, uma delas com Papais Noéis pendurados (que à noite ficavam iluminados). E terceiro, a Universität Wien, onde estudaram gênios como Schrödinger, Freud e Boltzmann.

Burgtheater, Wien

Árvore enfeitada com Papais Noéis, Wien

Rathaus, Wien

Rathaus, Wien

Ainda bem perto de Hofburg, em frente ao Volksgarten, fica o Parliament, belíssima construção neo-clássica, praticamente um templo grego, com direito a uma estátua de Atena na entrada. Voltarei a ele daqui a pouco, pois eu entrei lá, mas depois de passear mais um pouco.

Parliament, Wien

Cidade vista do Parliament, Wien

Ao lado do Parliamente e de Hofburg, ficam os praticamente idênticos Kunsthistorisches e Naturhistorisches Museum, na Maria Theresien Platz. Sua fachada ocupa a praça inteira e, no centro, eles possuem um belo domo. Entre os dois museus, mais um marché de Noël, este bem mais modesto que seu vizinho da Rathaus. Eu entrei no Naturhistorisches, mas só no dia seguinte.

Maria Theresien Platz, Wien

Kunsthistorisches Museum, Wien

De lá, segui para o recém-inaugurado MuseumsQuartier, que lembra um centro comercial, mas ao invés de lojas, há museus. Bem, tem algumas lojas também. Os principais museus são o Leopold Museum e o MUMOK, ambos de arte moderna e contemporânea, não visitados.

MuseumsQuartier, Wien

Leopold Museum, Wien

O sol estava se pondo e eu voltei ao Parliament, para participar da última visita guiada do dia. Bem comentada, aprendemos um pouco sobre a história do prédio, que fora danificado durante a guerra, sobre sua arquitetura e sobre a política austríaca. A arquitetura justificou-se como referência ao berço da Democracia, algo um tanto quanto clichê, mas os austríacos capricharam nos detalhes. A entrada principal dá em uma sala espetacular, com 24 colunas coríntias de mármore, com mais de 10 toneladas cada. Lá funcionam as duas Casas do Legislativo e a ideia inicial era que, nessa sala, eles pudessem discutir entre si. Durante a guerra, um dos plenários foi danificado, e atualmente ele possui um estilo nitidamente diferente do resto do prédio. Mas existe um lugar ainda mais espetacular que o hall das colunas, a Abgeordnetenhaus, antiga Câmara dos Deputados. Não me lembro dos detalhes, mas o fato é que hoje só eventos especiais acontecem lá. A sala é imensa, decorada com estátuas de estilo grego, pinturas e um impressionante teto de vidro, totalmente original. Há também locais para o povo austríaco assistir às sessões e lugares especiais para convidados de honra.

Parliament, Wien

Parliament, Wien

Parliament, Wien

Parliament, Wien

Depois dessa espetacular visita, fui jantar no marché de Noël (mais uma batata recheada) e voltei para o albergue, encantado com a capital austríaca. Digamos que ela tomou um pedaço da minha estima por Paris.

Rathaus, Wien

Tschüss!!!

21/12/2009: Bratislava - Wien

Oi pessoal!

Terceiro dia de viagem: dois dígitos, nascer do sol, castelo, palácio, problemas, soluções, Versailles austríaca, neve, marché de Noël, batata.
Seguindo recomendações, eu passaria apenas meio dia em Bratislava, capital da Eslováquia, que não possui tantas atrações quanto suas vizinhas. Assim, acordei cedo, junto com o sol, e comecei minha jornada sob os agradáveis -10ºC. Estava nublado, mas no horizonte dava pra ver perfeitamente o disco do sol, que se escondeu antes que eu conseguisse tirar uma foto.
O principal ponto turístico de Bratislava é seu castelo, mas antes disso passei pela diferente Modrý kostolík, ou Igreja Azul, que ficava perto do albergue.

Modrý kostolík, Bratislava

Como em Budapest (e em Praha), o Bratislavský hrad fica no alto de uma colina. Esqueci de mencionar um ponto importante quando falava da colina em Buda: fazer esse tipo de exercício no inverno é extremamente desagradável, pois estamos cheios de roupa e, com o esforço, ficamos quentes e passamos calor, além do fato de transpirarmos. Enfim, depois de uma longa e inclinada jornada, cheguei ao Bratislavský hrad, de onde se tem uma boa vista do Dunaj e da cidade. O castelo em si está em restauração e, pelo que entendi, ele não é branco como aparece nas fotos, isso é apenas uma etapa dos trabalhos. De qualquer forma, ele me pareceu bem bonito, com torres que lhe dão um ar imponente.

Nový most vista do Bratislavský hrad, Bratislava

Bratislavský hrad, Bratislava

Dóm sv. Martina vista do Bratislavský hrad, Bratislava

Desci de volta à cidade e passei pela praça central, a Stará radnica, onde ficava o marché de Noël, que estava abrindo. Aproveitei para comprar um enfeite de Natal local. Depois dei voltas pela pequena, mas simpática cidade, com destaques para as vistas do Bratislavský hrad de vários pontos e para o belo Grassalkovičov palác, o Palácio Presidencial em estilo rococó com um jardin à la française, segurado pelos "guardas reais" (para manter tradições).

Marché de Noël na Stará radnica, Bratislava

Cidade e Bratislavský hrad ao fundo, Bratislava

Grassalkovičov palác, Bratislava

Meu tempo em Bratislava estava acabando, então peguei minha mala no albergue e fui para a rodoviária. Cheguei com uma antecedência confortável, tive até tempo para experimentar o hot dog eslovaco, mas não imaginei que mais problemas estavam por vir. Ao entregar meu bilhete para o motorista, este me diz (ou melhor, me comunica, pois não entendia uma palavra) que o ele não era válido e que tinha que ir ao guichê. Na hora, eu pensei que tivesse apenas que trocar por um bilhete válido, mas depois descubro que o bilhete que tinha era para outra companhia. Eu não costumo fazer essas besteiras e, de fato, a culpa não foi toda minha. Explico-me. Existe na Europa uma companhia de ônibus chamada Eurolines, que descobri que é na verdade uma espécie de franquia, com parcerias locais em certos países, caso da Alemanha, Áustria e Eslováquia. Eu já tinha feito um trajeto München-Paris e comprara meu bilhete no site alemão sem problemas. Poderia ter comprado no site francês, mas era mais caro, e de qualquer forma seria o mesmo ônibus. Agora eu nunca iria adivinhar que na Eslováquia seria diferente. Aparentemente, as companhias austríaca e eslovaca não são parceiras e operam independentemente, ambas sob a marca Eurolines. Como era mais barato, eu comprara o bilhete austríaco. No bilhete, estava marcado o ponto de partida, que o Google Maps não reconheceu, então eu simplesmente fui para o terminal rodoviário. Mas o ônibus austríaco não saía de lá. Na verdade, ninguém soube me dizer de onde ele saía, mesmo eu mostrando o endereço de partida. Como já estava em cima da hora, resolvi pagar 7,00€ por um novo bilhete, para não perder tempo. Eu pensei comigo mesmo: estou gastando tão pouco em transportes, é tudo tão barato aqui que acho que 7,00€ não vão me levar à falência. O que aprendi? Que o Google Maps é mais falível que eu imaginava (segunda vez que ele me deixa na mão) e que devemos conferir melhor endereços.
Bratislava e Wien são cidades vizinhas, mas mesmo assim a viagem foi mais longa que o esperado, pois o ônibus parou em vários lugares no meio do caminho. Enfim, no começo da tarde já estava tentando me comunicar em alemão. Quanta pretensão a minha.
A sorte é que os austríacos são o top do top, bem simpáticos (é verdade que eu sempre parto do princípio de que todo mundo é smpático...) e foi fácil conseguir ajuda para chegar ao albergue. Devo admitir que Wien é uma das melhores cidade que já visitei, com uma organização excelente, mas às vezes faltam indicações para turistas. Desenvolvendo um pouco mais, eu virei um grande fã de Wien. A cidade é linda, com um sistema de transporte ainda melhor que o alemão. A impressão que tive é que o lugar era quase perfeito, não dava para melhorar muito mais. Uma pequena observação: é possível que minha opinião tenha sido influenciada pelo céu azul e pela neve que cobria a cidade.
Depois de ser mais uma vez muito bem recebido no albergue, fui visitar o Schloss Schönbrunn, única coisa que eu conseguiria fazer antes do pôr-do-sol. A leste da cidade, facilmente acessível pelo tramway, o lugar é sensacional. Lembra Versailles, com um imenso parque, uma Orangerie etc. O próprio Schloss lembra o château de Versailles, mas amarelo. Na posição oposta ao Schloss, fica a Gloriette, de onde se tem uma bela vista do domínio. Eu tive que correr para pegar os últimos raios de sol do solstício de inverno.

Gloriette no Schloss Schönbrunn, Wien

Schloss Schönbrunn, Wien

Gloriette no Schloss Schönbrunn, Wien

Gloriette no Schloss Schönbrunn, Wien

Os marchés de Noël de Wien estão entre os maiores e melhores da Europa e um deles, tavez o mais charmoso, fica justamente em frente ao Schloss Schönbrunn. Muito mais natalino que os parisienses, que parecem mercados de pulgas (ok, talvez eu esteja pegando pesado), havia várias tendas vendendo principalmente enfeites de Natal, comida e bebidas. Eu experimentei uma batata recheada com um molho de alho, uma delícia, bem quentinha! Uma pena que no final já estava fria, depois de derreter todo o gelo que cobria a mesa. Além disso, comprei uma linda caneca por apenas 2,00€, que na verdade é o depósito que se paga para tomar os Punsch. Como eu não queria tomar nada, perguntei se poderia simplesmente comprar a caneca e a moça falou: "é claro". A esse preço não acho caneca nem no supermercado.

Schloss Schönbrunn, Wien

Schloss Schönbrunn, Wien

No albergue, conheci uma russa muito simpática, que estuda Biologia e que adora colecionar moedas, como eu. Então nos divertimos trocando as diferentes moedas que tínhamos (para quem não sabe, as moedas de euro são diferentes para cada país).

Bis bald!!!

20/12/2009: Budapest - Bratislava

Oi pessoal!

Segundo dia de viagem: Parlamento, estrelas, colina, caverna, parque, neve, vento, páprica, spa, Titanic, pasteurização, problemas, soluções, rodomoça, euro, marché de Noël, tripé, Dunaj.
Domingo de manhã eu pretendia subir uma colina ao sul de Buda, de onde supostamente se teria uma bela vista panorâmica. No meio do caminho, passei pelo Országház, o maior Parlamento da Europa, cuja construção exigiu, inclusive, que o solo fosse reforçado. Não tive tempo para entrar, mas pelo que pesquisei lá estão guardadas as jóias da coroa.

Országház, Budapest

De volta a Buda, percebi que alguns flocos discretos de neve estavam caindo e, ao observar com atenção, notei que eram flocos em estrela! Para os desentendidos, existem diferentes tipos de neve. Em primeiro lugar, ela pode ser classificada com relação ao teor de água líquida que ela contém. Aqui em Paris, em geral, a neve é bem molhada, por isso dificilmente o chão fica branco. Lá no Leste, onde faz frio de verdade, a neve é seca, mais fácil para acumular. Além disso, neve nem sempre cai em flocos estrelados. Como eu disse, foi a primeira vez que a vi assim e isso ocorre quando está bastante frio.

Gellért-hegy, Budapest

Floco de neve em formato estrela, Budapest

A colina que subi chama-se Gellért-hegy, e há três pontos interessantes na região. Ainda na base, fica o famoso spa Gellért fürdő, um dos mais caros da cidade também. No meio da colina, fica a curiosa Sziklatemplom, uma igreja construída nas cavernas, que não pude visitar devido aos ofícios que ocorriam. E finalmente, no topo da colina há uma cidadela, que estava fechada. A subida foi dura, mas a neve por todo o lado compensava. Estava tudo muito bonito e a partir de uma certa altura, já era possível ver uma boa parte da cidade. No topo eu não fiquei muito tempo, pois estava ventando muito e eu queria ainda visitar vários lugares.

Gellért fürdő, Budapest

Sziklatemplom, Budapest

Gellért-hegy, Budapest

Duna visto de Gellért-hegy, Budapest

Gellért-hegy, Budapest

Szabadság-szobor, Budapest

Buda vista de Gellért-hegy, Budapest

Sol, Budapest

Fui de novo ao Marché de Noël, onde comi um delicioso prato de batatas com páprica. Uma dica para quem fizer algo parecido: coma rápido, senão esfria. Principalmente quando você tem que comer ao ar livre, sobre uma mesa coberta de neve, a -8ºC.

Fonte de Netuno, Budapest

Paprikás krumpli, Budapest

Com a barriga cheia, fui ver a Champs e a Hősök tere de dia, antes de passear pelo belo Városliget, parque onde há um castelo medieval e o famoso spa Széchenyi Fürdő, último lugar que visitei em Budapest.

Metrô na Andrássy út, Budapest

Hősök tere, Budapest

Városliget, Budapest

Vajdahunyad vára, Budapest

Vajdahunyad vára, Budapest

Széchenyi Fürdő, Budapest

Quando eu digo visitei, eu quero dizer que entrei e fui às piscinas (sim, eu levei roupa de banho). Uma experiência que valeu cada um dos forintes gastos. E que me mostrou que perdi vários neurônios depois que vim pra Europa. O complexo é o maior do gênero no Velho Continente e conta com piscinas fechadas, abertas e saunas. As piscinas abertas estavam abertas, mesmo a -8ºC. E eu tomei coragem para experimentar. A água é aquecida a cerca de 30ºC, bem agradável (ainda me sobraram alguns neurônios, claro que eu não iria se a água fosse fria), e a água é "corrente" (em movimento). Há vários chafarizes de água igualmente quente, embaixo dos quais eu fiquei por bastante tempo, caso contrário não daria para aguentar o frio. Frio que gerava uma névoa bem "pesada" sobre a piscina e que congelava meus cabelos se eu ficasse mais que 5 min sem mergulhar a cabeça na água. Eu me senti como meu xará em Titanic. O difícil é sair depois, tomar coragem pra ser pasteurizado. Você tem que ser bem rápido, minimizar o tempo de exposição e entrar correndo (não muito também, senão você sente mais frio ainda) em alguma piscina interna. É uma delícia ficar mofando nas piscinas de águas mágicas! E elas me fizeram muito bem: todos os resquícios de minha tosse madrileña desapareceram.

Széchenyi Fürdő, Budapest

Depois dessa experiência verdadeiramente húngara, peguei minhas coisas no albergue e fui em direção à estação de trem, passando no caminho por belas construções (ok, o tempo bom ajudou).

Belas fachadas, Budapest

Belas fachadas, Budapest

Keleti pályaudvar, Budapest

Ao chegar na Keleti pályaudvar, deparo-me com um imprevisto bem problemático. Meu trem, aquele trem que eu disse que entraria para a História, fora cancelado por causa da neve. E o pior, sem previsão de tráfego para o dia seguinte. Eu fiquei bem preocupado, para não dizer desesperado. E a moça antipática da estação não me ajudava, não entendia minhas perguntas ou não queria responder. Eu não sabia, ou melhor, não tinha o que fazer. Mentira. Tinha sim.
Não sei como, tive a brilhante ideia (desculpem a falta de modéstia: tudo pela emoção da narrativa) de ir ao guichê de informações turísticas, onde havia um aviso bem grande "sem informações sobre trens". Com cara de cachorro sem dono, expliquei minha situação para a moça e perguntei se havia algo que eu poderia fazer para chegar em Bratislava ainda no mesmo dia. E havia. Eu sabia que a Eurolines não tinha ônibus naquele horário (caso contrário eu nem pensaria em ir de trem), mas ela me falou de uma outra companhia, que faço questão de mencionar, a OrangeWays. Ela me disse onde eles ficavam e ainda achou um horário perfeito para mim. A moça da estação de trem, aparentemente, era uma exceção à simpatia húngara.
Fui correndo para lá, já preocupado em como pagaria pelo bilhete, pois não tinha mais muitos forintes. Lá descubro que eles não aceitam cartão de crédito, mas que aceitam euros. Mas quando a rodomoça me disse que o bilhete custava 2,00€, quase soltei um "só isso?" e logo depois voltei atrás perguntando quantos forintes seria. No fim das contas, acabei usando apenas algumas moedas que me sobrariam de qualquer forma. E é possível que receba meu reembolso do bilhete de trem em breve.
A viagem foi boa, rápida (mesmo tempo que levaria de trem) e confortável. Um dos melhores ônibus que já usei, com televisão, música individual e até serviço de bordo (daí a rodomoça). Fica a indicação para quem viajar pela Hungria. E a lição que aprendi e que passo para vocês: no inverno, sob neve, evitem trens e aviões. Usem ônibus, pois as estradas são mais bem cuidadas e dificilmente a principais vias ficam bloqueadas.
Cheguei em Bratislava relativamente cedo. Confesso que estava contente por não ter que fazer mais conversões malucas por alguns dias: a Eslováquia adotou o euro no começo de 2009 e a Áustria o usa já faz bastante tempo. E a melhor parte, poucos euros eram suficientes para meus gastos. O ônibus que peguei da rodoviária até o albergue, por exemplo, custou apenas 0,50€ (só a Polônia ganha disso). Enfim, deixei minhas coisas no albergue e fui procurar comida. Onde? No marché de Noël! Aproveitei para ver a cidade iluminada, principalmente a Nový most, ponte sobre o Dunaj (Danúbio) com uma estrutura do tipo OVNI; e o imponente Bratislavský hrad, que me lembrou um pouco as torres do Neuschwanstein. Aproveitei ao máximo meu recém-adquirido tripé.

Primaciálny palác, Bratislava

Stará radnica, Bratislava

Fonte e Stará radnica, Bratislava

Dóm sv. Martina, Bratislava

Dunaj e Nový most, Bratislava

Bratislavský hrad, Bratislava

Depois de um dia intenso, fui dormir cedo, pois estava apenas no 2º dos 16 dias de viagem.

Arrivederci!!!