segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

02/02/2010: Burren

Oi pessoal!

Quarto dia de viagem: espanhol, assédio, fertilizante, Bat Cave, tumba megalítica, neblina, precipícios, animais, castelo.
Galway é conhecida como a cidade das tribos, referência às famílias (tribos) que conduziram ao desenvolvimento da cidade em um certo período da história do país. Seu centro histórico é minúsculo e a quantidade de pontos interessantes a visitar é quase nula. Entre eles estão o Spanish Arch, resquícios de uma fortificação da cidade, ao lado do modesto Galway City Museum.
Vocês podem se perguntar: por que raios ele foi para lá então? Resposta: porque eu iria fazer dois passeios em regiões adjacentes, Burren e Connemara. Ambos seriam tours como o do Giant's Causeway, que achei na internet a preços extremamente interessantes (os dois tours por 22€).
Os passeios saíam do terminal de ônibus da cidade, que é dominado pelas companhias de tours pouco antes das 10h. Assim que eles avistam alguém com cara de turista, começam a balançar seus folhetos informativos, tentando convencê-lo a comprar o passeio. Só faltava gritar: venham, venham! No meu caso, já tinha meus bilhetes, então só me dirigi à plataforma da minha companhia. O destino do dia seria Burren - Cliffs of Moher.

Homenagem a Oscar Wilde, Galway

Spanish Arch, Galway

O motorista do ônibus era quase tão falador quanto o de Belfast e, desta vez, ele fez questão de interagir com todo mundo, que ele identificou pelo nome do país de origem. Nós éramos cerca de 15.
Burren é uma região especial, cujo solo rochoso permite "guardar o calor" (dói um pouco escrever isso, por isso as aspas) e consequentemente a fauna e a flora resistem mais tranquilamente ao inverno. Não vou entrar em detalhes pois não pesquisei sobre o assunto, só estou traduzindo o que me foi dito.
O primeiro lugar que visitamos foi a Aillwee Cave, que se eu não me engano foi a primeira que visitei em minha vida. Achei a visita bem interessante, vimos morcegos, estalagmites, estalactites e também o escuro total. Ausência absoluta de luz, a tal ponto que não conseguimos enxergar nem nossas mãos balançando em frente aos olhos. Experiência interessante. Saindo da caverna, aproveitei para degustar e comprar um delicioso queijo local.

Morcego na Aillwee Cave, Burren

Estalagmite na Aillwee Cave, Burren

A segunda parada foi no Poulnabrone dolmen, um dólmen (descobri que a palavra existe em português), monumento megalítico que serve como cemitério coletivo. Lembrou-me a estrutura de Stonehenge.
Logo em seguida, passamos por um castelo com certeza mal-assombrado, o Leamanagh Castle. Parece muito cenário de filmes de terror.

Poulnabrone dolmen, Burren

Leamanagh Castle, Burren

O principal destino do dia eram as Cliffs of Moher, falésias de 200 m de altitude de mais de 1 km de comprimento. Infelizmente estava chovendo e havia nebina, por isso a visibilidade estava reduzida, mas o lugar é impressionante e vale uma visita. É possível caminhar por um pequeno pedaço, de onde se tem uma bela vista geral da formação.

Cliffs of Moher, Burren

Cliffs of Moher, Burren

Cliffs of Moher, Burren

Na volta a Galway, fizemos algumas paradas breves para fotografias, como em um outro penhasco e no Dunguaire Castle. Além disso, de dentro do ônibus avistamos belos lhamas e pôneis selvagens. Os primeiros eu não sabia que existiam na Irlanda; os últimos, não sabia nem que existiam. Viajando e aprendendo!

Costa atlântica, Burren

Lhamas, Burren

Costa atlântica, Burren

Pôneis selvagens, Burren

Dunguaire Castle, Burren

Tschüss!!!

01/02/2010: Dublin

Oi pessoal!

Terceiro dia de viagem: sol, agulha, livros, pubs, castelo, recordes, Oscar, bandeira solitária, français.
Minha intenção inicial era ir direto de Belfast para a costa oeste da Irlanda, mas isso não seria muito fácil, então optei por passar por Dublin, que eu pretendia deixar para o final, já que eu pegaria lá meu voo de volta para Paris. Para não "desperdiçar" tempo de viagens, decidi ficar um dia em Dublin e pegar meu ônibus para Galway no final da tarde (assim eu aproveitava o tempo de sol).
O dia estava bem bonito, pude ver um belo nascer-do-sol às margens do Liffey. Dublin não é uma cidade interessante como Paris ou London, ela possui bem menos atrações e, principalmente, uma infra-estrutura bem abaixo do nível "capitais europeias". Não foi raro eu me "perder" por falta de indicação de nome de rua. Não há metrô, apenas ônibus, tram e o DART, bem similar ao RER.
Meu albergue ficava bem perto das estações de ônibus e de trem, não muito distante do centro da cidade. Lá perto fica o famoso Spire, uma agulha gigante cujo nome oficial é Monument of Light.

River Liffey, Dublin

Spire of Dublin (Monument of Light), Dublin

O primeiro lugar visitado foi a Trinity College Library, onde fica o espetacularBook of Kells. Este é um manuscrito que data do século VIII, contendo quatro evangelhos (Mateus, Marcos, Lucas e João) ricamente ilustrados. Um trabalho único no mundo e considerado um dos maiores tesouros da República da Irlanda. Além dele, há outros belos manuscritos e cópias de todas as obras publicadas no país, exercendo o papel de biblioteca de "copyright". Finalmente, no final da visita passa-se pela bela e antiga Long Room, com 65 m de comprimento e 200000 livros bem antigos.

Trinity College, Dublin

Trinity College, Dublin

De lá, segui para a famosa região de Temple Bar, onde ficam os pubs mais famosos da Irlanda e, creio que consequentemente, do mundo. Eles são bem decorados, com fachadas bem "vivas", além de esculturas e outros trabalhos na rua.

Temple Bar, Dublin

Um dos pontos centrais de Dublin é o Dublin Castle, antigamente sede do poder britânico na Irlanda e hoje sede de parte do governo. Ele é um complexo razoavelmente simples e pequeno, com uma capela e uma torre de defesa que se destacam.

Dublin Castle, Dublin

Dublin Castle, Dublin

Dublin Castle, Dublin

Continuei minha caminhada, em direção à St Patrick's Cathedral, maior igreja do país e dedicada ao santo patrono da Irlanda. Ela é bonita, apesar da cor cinza não muito original, principalmente por causa de suas torres em V.

St Patrick's Cathedral, Dublin

Umas das atrações mais populares de Dublin é a sede da cervejaria Guinness. A empresa que para mim sempre foi sinônimo de recordes (faz pouco tempo que descobri que na verdade Guinness era uma marca de cerveja) está instalada na parte oeste da cidade e conta com uma espécie de museu, onde é também possível degustá-la. Muito bom para os fãs de cerveja, não o meu caso.

Guinness Factory, Dublin

De volta ao centro de Dublin, passei pela segunda catedral de Dublin, a Christ Church Cathedral. Ela é bem parecida com a St Patrick's e creio que para os desatentos pode passar como a mesma igreja.

Christ Church Cathedral, Dublin

Contornando as margens do Liffey, que, de acordo com alguns, possui a cor da Guinness, fui até um pequeno parque, o St Stephen's Green, onde descansei (quase dormi) um pouco. De lá fui para a National Gallery, passando antes pela casa do escritor Oscar Wilde, que possui uma estátua no Merrion Square Park, em frente ao museu.
Como os museus do Reino Unido, a National Gallery possui entrada livre, atraindo um público bem diversificado. O foco do museu é obviamente a pintura irlandesa, mas há obras de outras escolas, representadas por artistas como Goya, Picasso, Poussin, Monet, Delacroix, Caravaggio e Rembrandt. Durante minha visita, aconteceu algo que me surpreendeu: pela primeira vez, um daqueles funcionários que ficam "cuidando das obras" (que na verdade são estudiosos de arte) falou comigo e começou a me explicar sobre uma tela particular, a única do museu que apresentava a bandeira da República da Irlanda (questões de discrição). Seu título era An allegory, muito apropriado, retratando a desilusão do próprio artista com relação à Guerra Civil.

Ha'penny Bridge, Dublin

St Stephen's Green, Dublin

Oscar Wilde, Dublin

National Gallery, Dublin

Depois do museu, voltei para o albergue, peguei minhas coisas e fui para o terminal rodoviário. A viagem foi tranquila, apesar de uma bavarde que ficou no celular por duas horas seguidas (falando alto o suficiente para que o ônibus inteiro pudesse ouvi-la). Chegando em Galway, me deparo com mais um francês, recepcionista do albergue. Albergue cujo endereço era Frenchville Lane. Parece perseguição.

Arrivederci!!!

31/01/2010: Belfast

Oi pessoal!

Segundo dia de viagem: neve, catedral agulha, céu azul, táxi preto, conflitos, murais, Universidade da Rainha, Só Rindo, pot-pourri, lua cheia.
No domingo de manhã eu havia combinado com meus novos amigos franceses de tomar café-da-manhã juntos. Saímos do albergue e pegamos uma bela nevasca, para enfim descobrir que o lugar aonde iríamos estava fechado. Pelo menos passamos pela Belfast Cathedral, que possui uma bizarra agulha em aço inoxidável, colocada recentemente no contexto da renovação do Cathedral Quarter. E passamos também pela University of Ulster, na frente da qual havia três estruturas igualmente bizarras, que pareciam enfeites de parque aquático.
Voltamos ao albergue e resolvemos comer por lá mesmo. Decidimos que iríamos fazer um Black Taxi Tour, famoso passeio que se faz em Belfast com taxistas locais que nos contam um pouco sobre os conflitos religiosos na Irlanda do Norte.

Belfast Cathedral, Belfast

Não vou entrar em detalhes, mas os conflitos, conhecidos como The Troubles, tem suas origens no início do século XVII, quando a população local, católica, viu suas terras serem confiscadas pelos britânicos, protestantes, durante a "colonização" da Irlanda. Os conflitos propriamente ditos começaram em 1966, com o assassinato de vários católicos, atribuído ao recém criado UVF, grupo de oposição ao IRA. Este, ao contrário do que muitos pensam, não é um grupo terrorista, mas sim um grupo revolucionário que lutava pela separação da Irlanda do Norte do Reino Unido e sua reintegração à República da Irlanda. No entanto, é verdade que eles já recorreram a métodos terroristas em algumas ocasiões. O auge dos conflitos ocorreu por volta de 1972 e, depois de várias tentativas de cessar fogo, eles terminaram oficialmente em 1998.
Hoje, ainda há muitos sinais dessa época em Belfast, como os famosos murais políticos e até um muro que separa uma parte da comunidade católica da protestante, construído para proteger ambas as comunidades de "problemas pontuais". Aparentemente, os dois lados começam a se harmonizar, um bom exemplo é o fato de crianças católicas e protestantes irem juntas para a escola. Nosso taxista acredita que o muro será derrubado em breve, mas não tão em breve.


Murais na parte protestante, Belfast

Murais na parte protestante, Belfast

Murais na parte protestante, Belfast
Muro dividindo as regiões protestante e católica, Belfast

Black Taxi, Belfast

Murais na parte católica, Belfast

Murais na parte católica, Belfast

Murais na parte católica, Belfast

Depois do tour super interessante, voltamos ao albergue, onde almoçamos (ganhei sanduíches e forneci chocolates de sobremesa) e conversamos bastante. Chegamos ao acordo de ir à Queen's University e ao Ulster Museum, ao sul da cidade, e de quebra visitar o Botanic Gardens.
No caminho, passamos pela bela Grand Opera House (que os franceses me disseram ser muito bonita por dentro) e pelo pub mais famoso da Irlanda do Norte, o Crown Bar.

Grand Opera House, Belfast

Crown Bar, Belfast

A Queen's University é uma belíssima universidade, toda em tijolos vermelhos, com uma torre central. Os franceses ficaram inconformados de ver uma universidade tão bonita e se arrependeram de estudar em Dublin ao invés de Belfast. Eu não cheguei a pensar nisso, apesar de achá-la realmente bonita. É possível entrar no prédio principal, onde vimos uma bela escadaria e algumas peças em prata, cobre e outros metais não identificados.

Queen's University, Belfast

Queen's University, Belfast

Queen's University, Belfast

Ao lado da Queen's University, fica o Botanic Gardens, onde descobri que acontecem filmagens de pegadinhas do programa Just for Laughs (Só Rindo, em português). Aparentemente, é bom tomar cuidado ao andar por lá no verão. O jardim possui estufas particularmente interessantes, com várias flores e plantas tropicais, tudo bem cuidado a 100% de umidade.

Botanic Gardens, Belfast

Botanic Gardens, Belfast

Botanic Gardens, Belfast

Literalmente dentro do Botanic Gardens, o Ulster Museum é um museu "generalista", com coleções de artes finas, História Natural e numismática, tudo meio misturado. Achei um museu muito agradável de se visitar, com uma boa disposição e com obras bonitas e interessantes. Destaque para a primeira múmia de verdade que eu vi aberta (no Louvre há uma, mas "vestida").

Ulster Museum, Belfast

Ulster Museum, Belfast

Ulster Museum, Belfast

Ulster Museum, Belfast

Ulster Museum, Belfast

Ulster Museum, Belfast

Ulster Museum, Belfast

Voltamos então para o albergue, onde arrumamos nossas coisas para ir à estação de trem. Coincidentemente, eu pegaria o mesmo trem que os três franceses, então pudemos conversar mais um pouco durante o trajeto até Dublin. No caminho, reparamos que a lua estava cheia e bem grande, destacando-se no céu limpo da Irlanda.

St George's Market, Belfast

Hasta luego!!!