Oi pessoal! Salut à tous!
Na segunda eu viajei sozinho, pois minha amiga de Lille tinha aulas. Fui pra Bruxelas e aproveitei pra conhecer Waterloo, cidade onde ocorreu a famosa batalha na qual as tropas lideradas por Napoleão foram derrotadas pelos ingleses, russos, prussianos e austríacos (que covardia, não?). Este dia foi o mais intenso dos quatro, no quesito acontecimentos interessantes.
A começar pelo trem que perdi para ir pra Bruxelas. Vou pular a descrição do complicado (porém bem econômico) esquema de ir de Lille pra Bélgica, mas o que ocorreu foi que, assim que cheguei na estação em Mouscron (fala-se "mucrron"), Bélgica, o trem para Bruxelas estava quase saindo. No que eu comprei meu bilhete, olho pela janela e...tchau trem...Pelo menos não perco meu bilhete porque, na Bélgica (assim como na Alemanha), em geral você compra um bilhete para um trajeto e não para um trem específico. Como o trem seguinte sairia em uma hora, fui explorar Mouscron, como adoro fazer. Mas Mouscron não tinha nada, como me avisara o senhor que me vendeu o bilhete na estação de trem. Ainda bem, pois fui mais cedo para a estação e quando chego descubro que: o trem que eu pegaria foi cancelado...mas eu ainda tinha tempo de fazer um roteiro alternativo, pegando um outro trem, que demorava mais, mas tudo bem.
Cheguei vivo em Bruxelas, estava um tempo bem feio, garoando, o que não me impediu de dizer "uau" quando chego na Grand-Place. Uma das praças mais bonitas que já vi (de acordo com a Wikipedia, Victor Hugo concorda comigo). Você não sabe para onde olhar: tudo é bonito! Lá fica o Hôtel de Ville, entre outros prédios importantes. Pena que não deu para vê-la iluminada à noite...
Depois da Grand-Place, fui explorar outras partes da cidade: o Parc de Bruxelles, o Palais Royal e o Palais de Justice, entre outros. No fim da minha caminhada (estava absurdamente cansado por causa dos dias anteriores), estava na Gare Midi, de onde sairia meu ônibus para Waterloo.
O motorista do ônibus (ao contrário do coiffeur) foi bem simpático: perguntou de onde eu vinha e me falou que havia muitos brasileiros lá, principalmente mulheres, mas trabalhando ilegalmente como domésticas (lembrem bem deste fato, ele será importante no futuro).
Chego em Waterloo, o ônibus me deixa bem perto do ponto onde foi construído um monumento (o busto de um leão) em homenagem à batalha e, durante o percurso, o próximo acontecimento do dia: o vento mais forte que já sentira em minha vida. Eu estava sendo empurrado pelo vento, não conseguia andar direito, sem exagero! Fiquei até com um pouco de medo, porque eu andava na beira de uma estrada. No topo do monte onde fica o leão, o vento estava tão forte, mas tão forte, que eu não conseguia tirar fotos de um dos lados do monumento. O lugar lá é bem interessante, para aqueles que gostam de coisas diferentes (não é nada espetacular, aviso, é realmente uma questão de gosto): tinha uma apresentação audiovisual, um filme e um museu de cera. Mas o mais legal foi ficar dando voltas ao redor do leão imaginando o que se passara lá alguns séculos atrás...
Voltando para Bruxelas, quem encontro no ônibus? Mais que óbvio que um brasileiro, ou melhor, uma brasileira. Reconheço pois ela falava ao celular e, assim que desligou, puxei conversa. Baseado em meus conhecimentos prévios, evitei o assunto "o que você faz por aqui", mas tenho quase certeza de que ela era uma das pessoas a que o motorista se referira. E ao longo do caminho entram outras brasileiras, todas se conheciam. Foi realmente bom eu ter conversado com o motorista na ida, para evitar o constrangimento alheio...
Chego em Bruxelas e já estava quase na hora do meu trem direto para Mouscron. Entro no trem e tudo vai bem, até que reparo que o trem estava quase-completamente vazio, eu não entendia nada que se falava no alto-falante e não conseguia ver nada para fora do trem (vidros-espelho). Admito que fiquei um pouco apreensivo. Mas eu fiquei com medo mesmo quando vi as horas e notei que iria perder o último ônibus que me levaria a Roubaix, cidade na periferia de Lille (dentro do contexto do esquema complicado, mas econômico).
Chego em Mouscron e, óbvio, eu realmente perdi o trem. Vou ao guichê da estação perguntar sobre trens pra Lille, com aquela aflição, já esperando uma facada de 20 euros, mas o senhor me disse que o bilhete custava 6 euros e que eu deveria pagar no trem mesmo. Achei estranho, mas tudo bem. Logo em seguida, ele fecha o guichê e vai embora.
Detalhe: se eu tivesse um pouco mais de sorte, poderia pegar o trem para Lille que partiu minutos depois que eu cheguei em Mouscron, mas nessa história de perguntar e conferir se o último ônibus já tinha partido, o trem foi também embora. Espero mais uma hora, na estação em silêncio absoluto. Mas eu tinha pelo menos a esperança de chegar em Lille no mesmo dia...
No fim das contas, tive até sorte: não passou um fiscal no trem para Lille e acabei viajando de graça...
(désolé, amis francophones, mais le français n'est pas encore si développé...)
La Maison du Roi, Grand-Place
Um comentário:
Nossa, realmente uma aventura...
Mas sabe, depois de um tempo vc nem vai mais lembrar dos monumentos famosos que vc viu, o que ai ficar realmente na sua memória são esses contratempos!
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