segunda-feira, 31 de maio de 2010

Viagem Savoie 2010

Oi pessoal!

No final-de-semana passado visitei três cidades na Savoie, um território que já foi um condado, um ducado e finalmente incorporado à França há 150 anos, na ocasião do Tratado de Turim. A Savoie localiza-se nos pés dos Alpes, uma de minhas regiões preferidas na França (e na Europa), onde inclusive ficam todas as estações de ski que frequentei (Chamonix-Mont-Blanc, La Plagne e La Norma).
O motivo principal da viagem foi o Lac d'Annecy, um belo lago de "água cristalina" entre algumas montanhas, em cuja extremidade fica a cidade homônima. Mas aproveitei também para conhecer outras cidades famosas, como Chambéry e Aix-les-Bains.
Saí de Paris sábado às 6h50, com meu adorado TGV (que saudades que terei de andar de TGV...), e às 10h32 já estava em Annecy, a cerca de 600 km da capital. O dia estava lindo e quente, uma pena que eu estava com uma mochila nas costas. Mas deu para aproveitar bastante mesmo assim. Annecy é uma bela e agradabilíssima cidade, com ares de interior (bem, como era de se esperar). Não bastasse sua localização, com aquele lindo lago, a cidade em si também é bem bonita, com alguns canais, construções antigas, uma feira espalhada por todo o centro antigo e muita gente. Curioso notar que eu ouvi mais italiano que francês, dada a quantidade de turistas (velhinhos) por lá.
Por conta do aniversário de 150 anos da anexação da Savoie à França, há bandeiras da região (que lembra a dinamarquesa) espalhadas por todo lado, dando a impressão de um povo bem orgulhoso. Três construções destacam-se em Annecy: o Palais de l'Isle, antigo castelo construído no meio de um canal; oChâteau d'Annecy, que abriga atualmente um museu; e a Basilique de la Visitation, uma igreja localizada no alto de uma colina, próxima de uma floresta avistada de vários pontos em torno do lago.
Eu dei uma boa caminhada em torno do lago, caminhada muito agradável, mesmo com a mochila nas costas. Não contente, eu ainda subi até a Basilique de la Visitation e passeei um pouco pela floresta, em busca de boas vistas do lago. Com medo de me perder, eu me contentei com vistas das montanhas vizinhas e depois desci para a cidade. Minha impressão sobre a cidade foi realmente muito boa, ela vai para a lista das minhas prediletas e a recomendo para todo mundo!

Bandeiras da UE, França e Savoie, Annecy

Préfecture, Annecy

Lac d'Annecy, Annecy

Lac d'Annecy, Annecy

Lac d'Annecy, Annecy

Pont des Amours, Annecy

Marché e Palais de l'Isle, Annecy

Canal, Annecy

Centro da cidade, Annecy

Lac d'Annecy, Annecy

Relógio solar, Annecy

Lac d'Annecy, Annecy

Château d'Annecy, Annecy

Palais de l'Isle, Annecy

Cathédrale de Saint-Pierre, Annecy

Château d'Annecy, Annecy

Basilique de la Visitation, Annecy

Vista da cidade e do Lac d'Annecy, Annecy

Vista da floresta e das montanhas, Annecy

Floresta, Annecy

Lac d'Annecy, Annecy

Montanhas e para-quedistas, Annecy

Como não achei acomodação [barata] por lá, eu fui no final da tarde para Aix-les-Bains, onde ficava meu albergue. Na verdade, o albergue ficava um pouco afastado da cidade em si, na beira do Lac du Bourget, outro belo lago alpino. Infelizmente não tive muita sorte com este, pois quando cheguei estava um pouco nublado e eu, extremamente cansado, por isso deixei a caminhada pelo lago para a manhã do domingo. O maior erro da viagem.
Tive tratamento praticamente exclusivo no albergue, pois eu era um dos dois únicos hóspedes. Nem cheguei a conhecer a outra pessoa, pois não estava no mesmo quarto que o meu, só sei que ela existia pois o café-da-manhã estava preparado para dois no dia seguinte. De qualquer forma, quando digo tratamento exclusivo, não me refiro à qualidade do serviço, apenas ao fato de eu ter a atenção só para mim. A França não tem a melhor das famas no quesito recepção, esta não foi uma exceção. Bem honestamente, até que fui bem tratado, mas nada perto da minha estadia em Budapest. Em particular, ser tratado com tu em vez de vous me incomodou um pouco (ok, chatice ao extremo a minha). Quanto às instalações, a casa era muito agradável e dormi muito bem, cerca de 10h no total.
Mencionei acima que não ter dado uma volta pelo Lac du Bourget no sábado à tarde foi o maior erro da viagem, isso porque uma chuva insistente chegou à região no domingo. Eu andei a manhã inteira com guarda-chuva na mão. À beira do lago, eu não via quase nada e o vento quase não me deixava tirar fotos. Na cidade, foi um pouco melhor, pois não ventava, mas notei que tirar fotos sob a chuva com uma câmera reflex não é nada fácil (outra situação em que minha W300 será usada). Chuva à parte, Aix-les-Bains é uma das mais importantes cidades termais da França (menos importante apenas que Dax), cujas fontes foram descobertas pelos romanos, na mesma época da ocupação de Lyon.
A cidade também é bem bonita, mas em um estilo bem mais "termal", como Vichy. Curioso notar que, assim como Vichy, ela também possui um Casino. Mas o grande destaque da cidade para mim foi o Musée Faure, minúsculo mas com um rico acervo, o segundo francês em telas impressionistas (depois de Orsay) e também de esculturas de Rodin (depois do Rodin, claro). Não há obras de Monet nem de Van Gogh, mas há algumas de Cézanne, Pissarro, Degas e, principalmente, muitas telas de autores menos célebres, mas muito talentosos, como Jongkind e Vignon.

Lac du Bourget, Aix-les-Bains

Lac du Bourget, Aix-les-Bains

Hôtel de Ville, Aix-les-Bains

Thermes Chevalley, Aix-les-Bains

Église Notre-Dame d'Aix-les-Bains, Aix-les-Bains

Musée Faure, Aix-les-Bains

Musée Faure, Aix-les-Bains

Musée Faure, Aix-les-Bains

Musée Faure, Aix-les-Bains

Musée Faure, Aix-les-Bains

Musée Faure, Aix-les-Bains

Cidade vista do Musée Faure, Aix-les-Bains

Parque, Aix-les-Bains

Casino Grand Cercle, Aix-les-Bains

Finalmente, por volta de meio-dia, peguei meu trem para Chambéry, uma das maiores e mais importantes da região. No quesito beleza natural, ela fica atrás das duas primeiras, mas a arquitetura lá é particularmente interessante. Suas ruelas estreitas e com casas de dois ou três andares ao lado me fizeram lembrar de Genova. Ela possui uma interessante fonte, a Fontaine des Éléphants; um grande château, sede do governo da região, o Château des Ducs de Savoie; e um parque de onde se tem uma interessante vista da cidade e das montanhas (caso o tempo permita), além de um monumento de guerra e uma estátua de Jean-Jacques Rousseau.

Fontaine des Éléphants, Chambéry

Pombos e fonte, Chambéry

Palais des Ducs de Savoie, Chambéry

Palais des Ducs de Savoie, Chambéry

Centro histórico, Chambéry

Centro histórico, Chambéry

Bandeira da Savoie em um parque, Chambéry

Jea-Jacques Rousseau, Chambéry

Uma pena que a vida em cidades do interior (ou seja, todas menos Paris e, talvez, Lyon e Marseille) fique praticamente morta de domingo. Não havia quase nada aberto e a maior parte das pessoas nas ruas eram "pessoas de idade" indo ou voltando da igreja. Por outro lado, tive Aix e Chambéry quase que só para mim. Apesar da chuva, gostei bastante de lá também.
Meu TGV de volta foi ainda mais rápido que o da ida (o trajeto é Paris - Chambéry - Aix-les-Bains - Annecy, com outras paradas possíveis), durando menos de 3h para os mesmos 600 km. O que achei mais curioso foi que o trem ficou parado por alguns instantes mais de uma vez durante o percurso, o que me fez pensar que ele atrasaria. Engano meu. As paradas eram estratégicas para ele chegar exatamente às 19h15 em Paris.

À bientôt!!!

quarta-feira, 26 de maio de 2010

N'importe quoi sur le RER B - Capítulo XVIII

Oi pessoal!

O verão vem chegando, as temperaturas, subindo e os problemas no RER, reaparecendo. Hoje cedo houve um combo de incidentes, que levou o RER A ao caos.
Eu já saí de casa preparado psicologicamente, pois fiquei sabendo via internet de um "accident grave de voyageur" bem cedo em Nanterre, a oeste da Défense. Mas aparentemente o tráfego se reestabelecia, por isso eu não estava muito preocupado.
Peguei meu adorado e cheiroso RER B, fui normalmente até Châtelet - Les Halles e entrei no segundo RER A que passou, bem cheio. Ainda era o efeito do acidente. Mas os reais problemas estavam por vir. Felizmente que, assim que o trem chegou em Auber, eu tive a excelente ideia de subir para o segundo andar do trem (não imaginem que isso diga algo sobre a "modernidade" do trem), onde havia mais espaço e onde meus pulmões podiam trabalhar normalmente, sem serem comprimidos por forças externas.
Segundos depois de eu me acomodar com meu Direct Matin, o condutor anuncia que um alarme havia sido acionado no trem à frente, que estava portanto parado em Charles de Gaulle - Étoile. Todos os trens têm alarmes como esse, que só devem ser acionados em casos de emergência para que o trem pare. E há uma mensagem bem clara dizendo que "todo abuso será punido". Bem, aparentemente este era um abuso, que provocou uma paralisação de 10 min no tráfego. Pode parecer pouco, mas gostaria de lembrá-los que estávamos no horário mais movimentado da mais usada linha de metrô da Europa, com 1,2 milhão de passageiros por dia. É uma linha hiper-saturada, com trens que passam praticamente a cada minuto, sempre cheios. Talvez vocês consigam agora imaginar o que uma pausa de 10 min pode provocar.
Mas não acaba por aí. O condutor nos anuncia todo feliz (pois afinal ele não tem culpa alguma) que o trem repartirá, fecha suas portas e, segundos depois, entra em contato de novo conosco: "euh...tenho uma má notícia: por conta de um novo alarme acionado na estação de Charles de Gaulle - Étoile, o trem não poderá partir. Obrigado pela compreensão." Confesso que não consegui segurar o riso quando ele disse "tenho uma má notícia". Isso não soa nem um pouco como "mensagens de trem", pelo contrário, mostra que o condutor também estava um pouco incrédulo perante a situação.
Confirmando minha tese de que as informações que nos são transmitidas são aleatórias, instantes depois ele volta a entrar em contato e diz que, na verdade, o trem estaria parado por conta de um "mal-estar de passageiro". Algo que sempre me pareceu uma desculpa esfarrapada, pois não conseguia imaginar como uma pessoa desmaiada poderia causar tanto atraso. Isso até domingo, dia de Roland-Garros, quando vi uma mulher ser socorrida em pleno estádio, cena que envolveu meia dúzia de socorristas e que durou uns bons 10 min. Os mesmos 10 min adicionais que ficamos parados em Auber.
Conclusão: entre 20 e 30 min de atraso por conta de repercussões de um suposto acidente, de um alarme acionado de maneira abusiva e da lentidão dos socorristas em tirar uma pessoa desmaiada de um trem (ou qualquer outra coisa que seja descrita pela RATP/SNCF como "malaise voyageur").

That's all folks!!!

Nature Capitale

Oi pessoal!

Durante o final-de-semana de Pentecostes, a mais famosa avenida de Paris transformou-se em um grande jardim, por conta do evento Nature Capitale. O tráfego de veículos foi interditado desde sábado, para que tudo pudesse ser bem montado durante a noite e estivesse pronto para os dois dias do evento. Quase 2 milhões de pessoas visitaram o grande jardim, entre elas o casal Sarkozy.
Havia canteiros com as mais variadas espécies vegetais, em geral presentes aqui na França e importantes para a agricultura, como videiras, tomateiros, lavanda, girassóis, tabaco, abacaxizeiros, colza e até cana-de-açúcar. E também havia animais, uma pena que não pudemos ver por causa da enorme quantidade de pessoas em volta dos cercados. Mas achei algo bem original.
Além da quantidade de pessoas, a temperatura estava também um pouco exagerada. Cheguei a ver 34ºC no termômetro, mas não duvido que tenha feito mais que isso. Ficar sob o sol por alguns minutos era bem difícil.

Arc de Triomphe, Nature Capitale

Huîtres, Nature Capitale

Ananas, Nature Capitale

Canne à sucre, Nature Capitale

Colza, Nature Capitale

Colza, Nature Capitale

Tournesols, Nature Capitale

De lá fomos buscar um pouco de ar fresco no Bois de Boulogne, sob a sombra de suas grandes árvores (ok, elas nem são tão grande assim). Descansamos um pouco à beira do lago (depois de uma boa caminhada para encontrá-lo) e depois voltamos para casa. Como eu estava morrendo de calor, assim que cheguei em casa arrumei minha mochila e fui direto para a piscina! E para responder à pergunta "acabou a greve das piscinas?": não e inclusive hoje, dia que vou à piscina, os folgados não trabalharam.

À plus!!!