quarta-feira, 7 de abril de 2010

N'importe quoi sur le RER B - Capítulo XVI

Oi pessoal!

O calor vem chegando e com ele vêm os problemas mais constantes nos RER. Hoje flagrei 22ºC em La Défense, temperatura considerada praticamente quente, típica de um inverno brasileiro. Mas não vim falar da temperatura e sim do meu amado RER.
Sexta-feira passada aconteceu algo absurdo até para os padrões parisienses. É pouco raro vermos um aviso de incident voyageur ou mesmo um accident grave de voyageur, mas dessa vez foi mais chocante. Uma pessoa foi empurrada contra um trem que estava chegando à estação de RER A Gare de Lyon e, como o trem estava chegando e não tinha ainda chegado totalmente, aconteceu o que vocês estão imaginando. O autor de tal ato é aparentemente doente mental e está desaparecido. Depois disso, confesso que comecei a pensar duas vezes antes de me aproximar do trem quando ele está chegando...
Volta do feriado e mais problemas. Ontem à tarde, mais uma daquelas bolsas de madame cabeça-de-vento fora esquecida na mesma Gare de Lyon, o que provocou uma boa perturbação em toda a linha. Eu tinha aula de Deutsch e havia saído mais cedo do estágio especialmente para tirar umas fotos no Jardin de Luxembourg (o dia estava ensolarado), mas por causa disso não tive tempo. Pelo menos pude dormir um pouco no trem, já que estava bem cansado. Mas os problemas ainda não haviam acabado.
Na volta para casa, às 20h30, percebo que os grevistas são realmente pontuais e não estavam brincando quando anunciaram que o "movimento social" começaria às 20h da terça-feira. Espera de vários minutos para um trem bem cheio, onde quase não consigo entrar.
E hoje, continuação da greve (ela vai até amanhã às 20h, portanto é possível que haja mais aventuras), mas de forma bizarra. Ela deveria afetar a linha B apenas, com 4/5 dos trens, enquanto a A deveria estar normal. E o que constato? Um n'importe quoi, pois a A, devido a "diversos incidentes" (ah, essas desculpas suspeitas...), estava bem perturbada, com trens super lotados, enquanto a B estava excelente. Pude até me sentar e cochilar no trem, até ser acordado por um infeliz que desconhece o conceito de espaço pessoal e me deu um grande empurrão antes de abrir a janela escandalosamente. Bem, já era pedir demais...

Ciao!!!

Parc des Buttes-Chaumont et Vincennes

Oi pessoal!

No último dia do final-de-semana prolongado o tempo resolveu melhorar, assim aproveitei para conhecer junto com um amigo o Parc des Buttes-Chaumont. Ele fica no 19ème arrondissement, no nordeste de Paris, não muito longe do Cimetière du Père Lachaise.
Seu nome já indica sua "peculiaridade", a presença de colinas e um monte bem respeitável, com um mini templo grego no topo e de onde se pode ver a Sacré-Coeur. Há também um lago e uma cascata, além de muitas flores (lembrem que estamos no começo da primavera no hemisfério norte). Foi um passeio bem agradável, espero voltar em breve para um possível piquenique.

Campo de narcisos, Parc des Buttes-Chaumont

Sacré-Coeur, Parc des Buttes-Chaumont

Temple de la Sibylle, Parc des Buttes-Chaumont

Flores, Parc des Buttes-Chaumont

Flores, Parc des Buttes-Chaumont

Marie du 19ème, Parc des Buttes-Chaumont

Temple de la Sibylle, Parc des Buttes-Chaumont

Folhas, Parc des Buttes-Chaumont

Narciso, Parc des Buttes-Chaumont

O tempo bom nos incentivou a desviar o caminho de volta para casa e foi assim que fomos parar no Parc Floral de Paris, em Vincennes, visitado há quase exatamente um ano. Ele está bem bonito, com flores de cerejeira, narcisos etc (meu vocabulário botânico é extremamente escasso). Poucas tulipas já tinham florido, creio que em uma ou duas semanas elas estarão todas como no ano passado, talvez eu volte lá para conferir. Além disso, desta vez pude entrar na parte de bonsais, muito legal também, com alguns doados por cidades japonesas a Paris.
Antes de ir embora, passamos para dar um "oi" para o Château de Vincennes, que ficava no caminho até a estação de RER.

Cerejeira, Parc Floral de Paris

Cerejeira, Parc Floral de Paris

Lago, Parc Floral de Paris

Flores, Parc Floral de Paris

Tulipas, Parc Floral de Paris

Tulipa, Parc Floral de Paris

Tulipa, Parc Floral de Paris

Bonsai, Parc Floral de Paris

Sainte-Chapelle, Château de Vincennes

Tschüss!!!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Basilique de Saint-Denis

Oi pessoal!

Os leitores com boa memória devem lembrar de uma visita frustrada a Saint-Denis há uns oito meses, em um dia quente e ensolarado de verão. Na ocasião, prometi que voltaria à Basilique e que a visitaria de verdade, o que fiz neste domingo de Páscoa à tarde.
O tempo não estava tão bom quanto o daquele dia de verão, mas como a visita é estritamente interna, isso não foi um grande problema.
Nós, jovens de menos de 25 anos residentes na França, temos uma verdadeira mordomia com essa história de entrada gratuita a museus e monumentos nacionais. Além da entrada, podemos inclusive participar de uma visita guiada, em geral por pessoas muito bem instruídas e simpáticas, que me dão vontade de estudar um pouco mais de História. Com exceção do guia da Conciergerie, que era um pouco estranho, todas as outras realizadas foram nota 20 (porque aqui a base da nota é 20)! E arrisco dizer que essa de Saint-Denis foi a melhor até o momento.
Começamos com um pouco de arquitetura, com a definição de basílica (construída sobre o túmulo de um santo) e uma apresentação de nomenclatura básica de catedrais, e passamos para a a história de Saint-Denis, o então santo padroeiro da França (hoje falar algo do gênero pode até ser visto como ofensa por aqui, tal o nível de laicismo neste país), ilustrada nos belos vitrais da Basilique. Considerado o primeiro bispo de Paris, ele foi martirizado por conta de sua popularidade (época em que o catolicismo não era bem visto entre os romanos) e decapitado. De acordo com a lenda, depois de tal tragédia Denis caminhou com sua cabeça em suas mãos, em direção ao norte de Paris, atravessando oMontmartre (Mont de Martyr) até chegar à atual Saint-Denis. Chegando lá, ele finalmente "morreu".
E foi sobre seu túmulo que a basílica foi edificada no século V, funcionando ao mesmo tempo como abadia beneditina, catedral e, desde o século VI, também como necrópole real. Saint-Denis passou a ser o padroeiro da França e se acreditava que sendo enterrados lá os reis contariam com sua proteção eterna. Foi assim que ela se tornou uma necrópole única no mundo, onde a arte funerária pode ser vista em vários estilos. Arte esta que nos foi apresentada com muitos detalhes. No início, as tumbas eram ornamentadas muito tempo depois da morte do monarca e como não havia retratos dos mesmos, a fisionomia de todos era bem "homogênea". Além disso, detalhes como a ação da gravidade sobre as dobras das roupas de pessoas deitadas não eram levados em conta. Depois de muita evolução, chegou a um ponto em que os monarcas encomendavam suas tumbas antes de morrerem, o que obviamente também levou a representações não muito fiéis de sua fisionomia, visto que "melhoras" eram exigidas na hora de esculpir.
A história da Basilique depois de sua construção também é bastante interessante. O primeiro rei a ser enterrado em Saint-Denis foi Dagobert, mas apenas a partir de Hugues Capet, primeiro da dinastia Capetiana, que isso passou a ser feito sistematicamente. É curioso notar que os representantes da dinastia dos Bourbon, uma das mais célebres da monarquia francesa, não possuíam grandes tumbas, apenas simples caixões em chumbo e madeira. Isso porque, de acordo com eles, a imagem que a população deveria guardar era de seu reinado, por isso a quantidade de estátuas equestres espalhadas pelo país, esquecendo assim sua morte.
Um dos acontecimentos mais marcantes para a Basilique foi a Revolução, assim como para diversos outros símbolos da monarquia e da religião. Pretendia-se eliminar todos os seus traços, mas felizmente, ao mesmo tempo, desenvolveu-se uma mentalidade de preservação do patrimônio, assim as tumbas foram preservadas. Mas não os cadáveres, que foram todos exumados e enterrados em uma mesma vala, e nem a catedral, que teve toda sua estrutura de chumbo retirada (para fabricar armas). Bonaparte até tentou em seguida restituir os corpos às devidas tumbas, mas aparentemente eles não estavam mais identificáveis e foi assim que surgiu a ideia de um ossuário real. Ou seja, todas as tumbas estão atualmente vazias. Com algumas exceções bem particulares. A primeira é de Marie-Antoinette, que havia sido guilhotinada e seu corpo estava no cimetière de la Madeleine em Paris, encontrado com a ajuda de uma testemunha visual. Além dela, o último rei francês, Louis XVIII também está lá, devidamente identificado (foi ele inclusive que "achou" Marie-Antoinette), mas curiosamente não foi o último a entrar em Saint-Denis. O sortudo foi Louis XVII, que morreu ainda criança, durante a Revolução, criando o mistério do "Dauphin perdido". Em 2004, depois de um teste de DNA, foi comprovado que um certo coração (longa história, como vocês devem imaginar) lhe pertencia, assim realizou-se uma cerimônia especial em Sant-Denis para acolhê-lo. Os experts em Revolução Francesa podem me perguntar: e o pobre coitado do Louis XVI, marido de Marie-Antoinette? Bem, a história é engraçada: Louis XVIII procurou pelos dois, mas apenas a rainha fora encontrada. Como ele estava com uma cerimônia de restituição dos corpos a Saint-Denis marcada, não podendo decepcionar seus súditos, o que ele decidiu fazer? Simplesmente pegar um zé ninguém e colocar no lugar de seu irmão. E até hoje não se sabe onde foi parar o pobre rei guilhotinado.
Bem, para terminar, algumas fotos, incluindo de seus belos vitrais.

Fachada, Basilique de Saint-Denis

Vitrais, Basilique de Saint-Denis

Vitrais, Basilique de Saint-Denis

Tumbas dos Bourbon, Basilique de Saint-Denis

Lista de monarcas franceses, Basilique de Saint-Denis

Coração de Louis XVII, Basilique de Saint-Denis

Tumba construída para guardar "entranhas", Basilique de Saint-Denis

Tumba de François I, Basilique de Saint-Denis

Louis XVI e Marie-Antoinette, Basilique de Saint-Denis

Estandarte francês, Basilique de Saint-Denis

Vitrais (Saint-Denis com sua cabeça nas mãos), Basilique de Saint-Denis

Tumba de Louis XII e Anne de Bretagne, Basilique de Saint-Denis

Vitrais, Basilique de Saint-Denis

À bientôt!!!

Hôtel des Invalides

Oi pessoal!

Continuando o final-de-semana cultural, sábado à tarde fui ao Hôtel des Invalides com meu amigo chinês da CP. Já havia visitado o museu na Nuit des Musées 2009, mas não conseguira ver tudo o que queria, por isso o retorno.
Começamos com a parte de maquetes, que havia sido reinaugurada no ano passado e por isso estava absurdamente cheia. Ela é interessante, com miniaturas de várias cidades fortificadas na França, como o Mont Saint-Michel e Marseille. Uma pena que o ambiente é muito escuro, assim além de ser difícil de fotografar, é difícil mesmo enxergar direito os detalhes.

Mont Saint-Michel, Hôtel des Invalides

Depois fomos a uma parte recém-reinaugurada, que conta com objetos da época entre Louis XIV e Napoléon I. Destaque para os belos sabres e pistolas, além do "colar" que este último usou em sua coroação.

Colar da coroação de Napoléon I, Hôtel des Invalides

Manto real, Hôtel des Invalides

Depois de uma breve passagem pela parte de armaduras, fomos à Église du Dôme, onde está a tumba do primeiro imperador dos franceses. Desta vez o nível inferior estava aberto, então pude vê-la de mais perto.

Espada de François I, Hôtel des Invalides

Capacete engraçado, Hôtel des Invalides

Église du Dôme, Hôtel des Invalides

Tumba de Napoléon I, Hôtel des Invalides

Église du Dôme, Hôtel des Invalides

Entre o começo e o fim da visita, o tempo mudou de chuvoso para ensolarado, então depois de prestar nossas homenagens a Napoléon I, aproveitamos alguns minutos apreciando e fotografando o belo domo dourado dos Invalides, sob um céu azul de primavera.

Église du Dôme, Hôtel des Invalides

Tschüss!!!

domingo, 4 de abril de 2010

Sainte-Chapelle et Conciergerie

Oi pessoal!

Para compensar a louca viagem para a Suíça na Páscoa do ano passado, este ano "resolvi" ficar "tranquilo" por aqui em Paris. O primeiro par de aspas deve-se ao fato de essa não ser minha vontade inicial, mas por diversas questões não consegui planejar nada fora de Île-de-France. E o segundo, ao fato de que não fiquei mofando em casa.
Sábado de manhã fui com uma amiga a uma igreja que desde que cheguei queria visitar, a Sainte-Chapelle. Ela foi construída no século XIII por Louis IX (futuro Saint-Louis), para abrigar as relíquias da Paixão de Cristo. Estas foram adquiridas por esse mesmo rei a somas astronômicas, que inclusive superaram o custo de construção da própria capela. Entre elas, a mais famosa é a Coroa de Espinhos, atualmente guardada na Notre-Dame de Paris. A capela é pequena, mas de tirar o fôlego com seus belos vitrais e seu teto estrelado. Ela possui dois níveis: o superior, onde ficavam expostas as relíquias, às quais tinham acesso apenas o rei, seus próximos e os religiosos responsáveis pelos ofícios, e a inferior, local de culto do pessoal do palácio.

Teto com flores de lis, Sainte-Chapelle

Medalhão de um apóstolo, Sainte-Chapelle

Teto estrelado, Sainte-Chapelle

Rosa acidental (Apocalipse), Sainte-Chapelle

Afrescos, Sainte-Chapelle

Vitrais, Sainte-Chapelle

Estátua de um apóstolo, Sainte-Chapelle

Vitrais, Sainte-Chapelle

Mais flores de lis, Sainte-Chapelle

Altar (Paixão de Cristo), Sainte-Chapelle

A Sainte-Chapelle localiza-se no Palais de la Cité, na Île de Cité, primeira sede do poder real francês, escolhida por Clóvis como sua residência no século VI. É possível também visitar o que sobrou da parte residencial, a Conciergerie, atualmente separada da Sainte-Chapelle pelo Palais de Justice. A Conciergerie não é tão espetacular quanto a Sainte-Chapelle, mas é curioso notar que ela passou a ser uma prisão a partir do século XIV, quando os monarcas decidem se mudar para o Louvre e Vincennes. E durante a Revolução, foi onde passaram seus últimos dias Louis XVI e Marie-Antoinette.

Teto e colunas, Conciergerie

Coluna, Conciergerie

Lista de guilhotinados durante a Revolução, Conciergerie

Célula onde ficou Marie-Antoinette, Conciergerie

Vista exterior, Conciergerie

À plus!!!