terça-feira, 7 de setembro de 2010

04/08/2010: Sandane - Ålesund

Oi pessoal!

6º dia de viagem: espelho, balsa, montanha, panorama, cidade de pedra, farmácia Art Nouveau, peste, noite em claro.

Nosso primeiro ônibus do dia partiria somente às 9h50, por isso decidimos descansar bastante e dormir até às 8h. Acordamos, tomamos um breve café-da-manhã e demos mais uma volta nos entornos. Começamos pelo próprio albergue, que descobrimos ter uma quadra de vôlei de praia, um campo de futebol e até uma churrasqueira. Não fosse a enorme diferença na latitude, muito parecido com um sítio no Brasil. Como o tempo estava ótimo, decidimos descer até a beira do fiorde, desta vez a pé. A cidade fica na encosta da montanha, com várias "curvas de nível", para evitar desastres como os que vemos durante nosso verão. Assim, "descer até a beira do fiorde" (e principalmente, o caminho de volta) foi uma atividade bem cansativa. Mas vale muito a pena. Em Sandane/Vereide, fica uma porção bem calma do Nordfjord, que forma um espelho d'água bem bonito, como vocês podem ver nas fotos abaixo.
(fotos Nordfjord)
Chegou a hora de pegarmos nosso ônibus e a gerente do albergue nos levou até o ponto mais uma vez. Para agradecer toda a hospitalidade, deixamos uma lembrancinha brasileira para ela. A propósito, dica de viajante: quando for viajar, sempre leve algumas lembranças do seu país. É muito legal trocar lembranças com locais ou com outros viajantes.
O trajeto Sandane - Ålesund começou em uma balsa. A primeira de várias, em que nos divertíamos tirando fotos, tomando sol e fugindo do vento que ficava cada vez mais frio (só para lembrar, estávamos indo para o norte). Nas baldeações, dávamos uma breve volta pela cidade também.
Chegamos em Ålesund por volta das 13h30. Almoçamos, deixamos nossas coisas no albergue e saímos para passear. O albergue, a propósito, parecia mais um improvisado. Não sei bem se ele só funciona no verão ou se foi apenas "restaurado" como albergue. De qualquer forma, era bem simpático.
Começamos nosso passeio pelo Aksla, um parque-montanha ao lado do nosso albergue. Para chegar ao célebre ponto de observação, deve-se subir muitas escadas. No topo, há rotas de caminhada no bosque, um restaurante e o já citado ponto de observação. De lá, tem-se uma belíssima vista da cidade e da região. A cidade é constituída por três porções de terra principais, e lá de cima é possível ver as ilhotas. Pode-se ver também as várias montanhas que circundam a cidade. Mais fácil mostrar que explicar.
(fotos panorama cidade)
Ålesund é uma cidade considerada única na Noruega, devido ao seu estilo arquitetônico diferenciado. Enquanto nos resto do país domina a madeira (construções antigas) e o aço-vidro (modernas), lá as casas são, em sua maioria, de pedra. Para explicar a razão disso, vou contar um pouco da história da cidade.
Ålesund era uma cidade norueguesa como as outras, i.e., cheia de casas de madeira, até o início do século XX, quando houve um grande incêndio na cidade. Apesar de a cidade ter sido totalmente destruída, parece que houve apenas uma morte em cerca de 10.000 desalojados. Nos três anos seguintes, a cidade foi reconstruída pelo Kaiser Wilhelm (Alemanha), que frequentemente passava suas férias na região, no estilo Art Nouveau, a moda na Europa àquela época. Poucos arquitetos foram encarregados da reconstrução, daí a harmonia e uniformidade no estilo da cidade. São poucas as cidades no mundo construídas no estilo Art Nouveau e com essa harmonia, o que torna Ålesund tão especial. Não tive tempo de visitar, mas dizem que o Jugendstil Senteret, construído em uma antiga farmácia, é bem interessante, apresentando Ålesund e o estilo Art Nouveau (que em norueguês é jugendstil).
As casas em Ålesund são muito coloridas, quase sempre com torres e o ano de sua construção é comumente indicado (pode-se verificar que a grande maioria foi construída entre 1904 e 1907). Caminhar por suas ruas inclinadas e próximas à água é muito gostoso. Para os preguiçosos, tem até um trenzinho que dá uma volta pela cidade.
Enquanto preparávamos nosso jantar no albergue, encontramos mais franceses, que parecem ser piores que brasileiros. Nos países nórdicos, pelo menos, foi a nacionalidade estrangeira que mais encontrei. Quase em todas as cidades que visitei havia algum francês perdido. E, de um modo geral, eles são muito bons turistas: não são barulhentos, são discretos, simpáticos e abertos. Esta não seria a última oportunidade de parler français durante minha viagem.
Enfim, depois de me atualizar dos acontecimentos do mundo, de mandar sinais de vida para a família e de me exibir no Facebook, fui dormir. Mais uma vez, sob a luz do sol.

さようなら!!!

03/08/2010: Flåm - Sogndal - Sandane

Oi pessoal!

5º dia de viagem: museu, balsa, mala perdida, construção, cortesia, tour privativo, bike tour.

Depois de uma excelente noite de sono em uma casa de madeira aconchegante, entre montanhas e com a barriga cheia de uma deliciosa macarronada ao molho de tomate com atum (que virou nossa especialidade), estávamos muito bem dispostos para conhecer o vilarejo de Flåm.
A cidadezinha não tem muitas atrações, mas sua localização é muito agradável. Demos uma volta na "praia", onde encontramos um horrendo cruzeiro chegando, só para perturbar nossa paz. Uma caminhada à beira de um fiorde é uma atividade que recomendo para todos. Principalmente para aqueles que buscam "paz de espírito".
Depois de varrer a cidade de ponta a ponta, fomos ao Flåmsbanamuseet, o museu dedicado à ferrovia inclinada que tornou Flåm uma das cidades mais visitadas da Noruega. O museu é bem pequeno, mas gratuito, por isso vale a visita. Ele apresenta diversos objetos relacionados à construção da Flåmsbana, como documentos, instrumentos de projeto, placas diversas, miniaturas de trens da NSB, uma ferrovia em miniatura e, também, um vagão real de um trem antigo.
Terminamos nossa visita, passamos pelas lojas, que estavam abrindo, sentamos para nosso almoço (sanduíches de salame e queijo) em uma mesa de madeira, tomamos um pouco de sol (que resolveu aparecer e se instalar de vez) e fomos em direção ao ponto de ônibus. Por volta das 12h, já estava eu no primeiro de vários ônibus que me permitiriam concluir essa jornada pelos países nórdicos (sou muito grato a esses ônibus, onde passei uma importante parte da minha viagem).
Eu já disse e repito: as paisagens por lá são lindíssimas. A ponto de eu não conseguir dormir (ou melhor, cochilar) nos ônibus e trens, mesmo quando muito cansado, só para ver e fotografar as paisagens. Esse primeiro trecho, em particular, justamente por ser o primeiro, foi marcante. A sensação que tive quando percebi que o ônibus entrava em uma balsa (esta também, a primeira de várias) foi parecida com a que tinha quando ganhava meus jogos de Gameboy. Antes que pensem "que raios ele está falando?", explico: quando o ônibus entra na balsa, os passageiros podem sair do ônibus e ficar passeando pelo barco que, às vezes, era bem legal. Tiramos muitas fotos, tomamos bastante sol e, também, bastante vento. Uma dica: nesses barcos, normalmente há um lado que é atingido pelo vento e o outro fica no "vácuo". Torçam para o sol e as melhores paisagens estarem no lado do "vácuo", assim não vão precisar colocar e tirar agasalhos a cada cinco minutos.
Quanto à paisagem em si, foi a primeira vez em que andamos de barco entre os fiordes. É um cenário encantador, muito bonito mesmo. Vou economizar nas palavras, acho mais eficiente mostrar algumas fotos.
(fotos fiordes balsa)
Este primeiro ônibus levou-nos a Sogndal, onde pegaríamos outro ônibus para Sandane, onde ficava nosso albergue. Mais uma dica de mochileiro: quando estiverem viajando de ônibus em um lugar desconhecido e não entenderem [quase] nada da língua local, fiquem muito atentos às paradas, pesquisem com antecedência o trajeto e, acima de tudo, não tenham vergonha de perguntar a alguém (as pessoas, em geral, são muito prestativas nesse ponto) quando chegará seu ponto. Vocês já devem estar imaginando o que aconteceu. Bem, estávamos atentos às placas, por isso mesmo quando chegamos a Sogndal (é também um bom exercício de memória lembrar dos nomes das diferentes cidades) preparamo-nos para descer. Assim que o ônibus parou, confirmamos com o motorista que estávamos em Sogndal e descemos do ônibus. Posicionamo-nos ao lado da porta do bagageiro, esperando que o motorista abrisse-a, mas levamos um belo susto quando ele começou a andar. Isso mesmo, o ônibus estava indo embora. Com nossas malas. Demorou uma fração segundo para a ficha cair, durante a qual pensei: "devo estar sonhando acordado". Mas quando caiu, começamos a correr desesperadamente atrás do ônibus, como aquelas pessoas em filmes, correndo atrás do trem que está partindo com algo/alguém importante. Felizmente, um dos passageiros avisou o motorista a tempo, que parou o ônibus e reabriu a porta. Entramos e percebemos que estávamos de fato em Sogndal, mas não em seu ponto final. Morrendo de vergonha, encolhemo-nos nos primeiros bancos e lá ficamos quietinhos até chegar na rodoviária. Hoje, penso: "que graça tem viajar sem imprevistos? São justamente essas as histórias mais marcantes."
A rodoviária de Sogndal é mais ou menos do tamanho de um posto de gasolina. Tinha um guichê de vendas (fechado), uma lanchonete (fechando) e um espaço de espera. Poucas pessoas aguardando, um lugar muito calmo. E chato. Decidimos dar uma volta pela cidade, com nossas malas mesmo. Ainda não tinha a manha de deixar a mala em um lugar qualquer para andar mais livremente. Mais tarde descobri que, por essas bandas, o risco de alguém levar sua mala embora é muito pequeno.
Sogndal é uma cidade de verdade, com casas e comércio, e um importante carrefour de transportes. Muitas linhas de ônibus e rodovias passam por lá, inclusive a nossa, em direção ao Nordfjord. Ao invés de aguardar por nosso ônibus na "rodoviária", esperamos em um banco à beira-mar, sempre comendo sanduíches, é claro. Pude inclusive ver como um norueguês constrói sua casa sobre a água. Difícil explicar, peço que vejam a foto abaixo.
(foto casa água)
Chegou a hora de nos despedirmos de Sogndal, em direção a Sandane. Lá nos esperava a gerente do albergue, com quem trocamos vários e-mails e que se mostrou hiper-simpática e acolhedora. Foi assim: estávamos preocupados pois o ponto de ônibus ficava meio longe do albergue, a cerca de 2 km, e não queríamos andar com nossas malas pela estrada. Perguntamos-lhe se achava possível que o motorista do ônibus nos deixasse no meio do caminho, e como resposta ela disse que provavelmente sim, mas que não nos preocupássemos com isso pois ela poderia nos buscar de carro. Pois bem, ela foi lá nos buscar.
Não bastasse isso, ainda nos contou bastante sobre a região (uma das poucas com agricultura desenvolvida no país), respondeu nossas milhares de perguntas bobas (por exemplo, se o fiorde congelava no inverno - sim, inclusive pode-se andar de patins ou do que você quiser) e nos levou para ver um barco viking de verdade, guardado em um galpão.
Chegamos no albergue, que funciona como centro de atividades esportivas, e a gerente perguntou se queríamos passear de bicicleta. Normalmente, esses lugares tiram o máximo de dinheiro que podem dos turistas, por isso achei curioso que ela nos ofereceu as bicicletas de graça. Arrumou dois capacetes, explicou uma rota possível e fomos. O sol já se "punha" atrás das montanhas, mas mesmo assim estava claro o suficiente para aproveitarmos bastante. Fomos bem longe, passamos no meio de uma plantação (de morangos, se não me engano - se eu tivesse parado para experimentar um não teria esquecido...) e até nos perdemos. Foi muito gostoso pedalar à beira do fiorde.
De volta ao albergue, preparamos nosso delicioso macarrão ao molho de tomate com atum e jantamos assistindo a uma espécie de reality show norueguês, em que casais jovens que pretendem ser pais cuidam de crianças de outras famílias, um teste para ver se serão capazes ou não. Pelo que me lembro, não se davam muito bem, não.
Este foi o segundo dia em que fui dormir com o céu claro. Muitos reclamam. Eu não me incomodo nem um pouco :)

Bis bald!!!

02/08/2010: Bergen - Flåm

Oi pessoal!

4º dia de viagem: Ebicen natural, fractal, peixes, Liga Hanseática, circular, funicular, Into the Wild, lepra, montanha-russa, albergue 5 estrelas.

Bergen é uma cidade onde chove 235 dias por ano, em média, mais que o dobro que Londres (que possui a injusta fama de ser chuvosa). E tivemos a sorte de pegar um dia sem uma gota de chuva, com direito até a um céu parcialmente nublado! Seu centro histórico é bem pequeno, fácil de explorar a pé, mas para os mais preguiçosos há um serviço de ônibus circular gratuito, que passa pelos principais pontos turísticos da cidade.
Começamos nossa visita pelo Den Nationale Scene, o belo teatro municipal, em frente ao qual há uma estátua de Ibsen, nosso famoso dramaturgo norueguês, que é originário de Bergen. É uma estátua curiosa, em que ele aparece com os olhos arregalados e como que dentro de um casulo. Passamos pela Ole Bulls plass, praça em homenagem ao violinista Ole Bull e chegamos então ao Lille Lungegårdsvann, o lago central da cidade. Em formato octagonal, é um lago bem simpático, com jardins ao redor e um notável cubo metálico, cujas faces decoradas lembram fractais. Do lago, é possível ver a prefeitura, que funciona em um prédio simples, que passaria desapercebido não fosse sua altura.
Um dos lugares mais pitorescos de Bergen é o Fisketorget, o mercado de peixes. Lá é possível ver, degustar e até comprar (!) iguarias como carne de baleia, caviar, salmão (de mil tipos), salame de rena e de alce etc. Só é uma pena o fato de o lugar ter se tornado excessivamente turístico, perdendo um pouco do seu charme original, o que se vê claramente pela etnia dos atendentes (que não são noruegueses) e pelos idiomas ouvidos (inglês, chinês, japonês e até português, mas nada de norueguês). De qualquer forma, é um lugar que vale a pena ser visitado e, se o orçamento permitir, recomendo um lanche ou almoço por lá.
O centro histórico de Bergen é conhecido como Bryggen, um conjunto de casas de madeira que um dia serviu de sede para a Liga Hanseática, associação que estabelecia o monopólio sobre o comércio no norte europeu no fim da Idade Média. As casas são bem homogêneas e parecem até de brinquedo, onde hoje funcionam lojas de souvenir. Bryggen faz parte da lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. Na região, destacam-se ainda a Mariakirken, a mais antiga construção de Bergen (que ainda existe) e a Bergenhus Festning, uma fortaleza medieval.
Bergen é para muitos a porta de entrada para a região dos fiordes, sejam eles ao norte ou ao sul, graças à sua conexão com a capital. Pode-se dizer que a cidade em si já fica em meio a fiordes, pois ao contrário de Oslo há algumas montanhas ao redor dela. Para que gosta de vistas panorâmicas, recomendo que peguem o Fløibanen para subir uma delas, de onde se tem uma bela e completa vista da cidade. Para os mais ativos/pão-duros, é possível descê-la a pé em uma trilha bem agradável que passa no meio da mata.
De volta ao nível do mar, voltamos ao albergue, arrumamos nossas malas e pegamos nosso trem em direção a Flåm, não sem antes passar pelo célebre St Jørgens Hospital, hospital onde foi descoberta a bactéria causadora da lepra.
Parte do trecho Bergen - Flåm é o mesmo que o Oslo - Bergen, mas desta vez tivemos mais sorte com o tempo, que estava bem ensolarado. Chegando em Myrdal, pegamos a famosa Flåmsbana, uma das mais inclinadas ferrovias do mundo, com uma proporção que chega a 1:18 (a cada 18 m de percurso, a altitude varia 1 m). Além da inclinação, a linha conta com uma curva em 180º e vários túneis. O roteiro é bem turístico (como é comum na Noruega): há uma TV em cada vagão contando a história e curiosidades da linha e podemos até sair do trem em alguns momentos para tirar fotos (de uma bela cachoeira, por exemplo). Como estávamos no verão, havia incontáveis quedas d'água ao longo do percurso.
Depois de pouco menos de 1h de percurso, chegamos ao vilarejo turístico de Flåm, que fica no meio de um verdadeiro fiorde. Isso significa que, se você olha para o horizonte, você vê água e se vira a cabeça para os lados, vê montanhas enormes. Nosso albergue ficava lá, uma moderna casa de madeira, que considero o melhor de todos os albergues em que já fiquei. A partir desse dia, perdido no interior dos países nórdicos, não tive mais problemas para conseguir dormir por conta de meus colegas de quarto. Mesmo porque não era raro eu ser o único no quarto. A situação só iria mudar (e como) em Stockholm. Também nesse período, de Flåm a Stockholm, não vi mais a noite. Sol, sol, sol e um pouco de nuvens e chuva, de vez em quando.

Hasta luego!!!

01/08/2010: Oslo

Oi pessoal!

3º dia de viagem: estátuas, fortaleza, praia de cimento, tobogã, 16 camas.

Começamos nosso segundo dia em Oslo indo ao Vigelandsparken, um parque-museu um pouco afastado do centro, com bizarras esculturas de Vigeland. Essas esculturas representam pessoas em cenas simples da vida, desde a observação do céu à lavagem do cabelo, passando pelo célebre bebê chorão. No parque, destacam-se ainda a fonte, sustentada pelos titãs, e um obelisco constituído igualmente por pessoas.
Voltamos então ao centro, para visitar a região da Akershus festning, uma fortaleza medieval que data do século XIII, de onde se tem boas vistas da cidade e do Oslofjord. Passamos pela Bankplassen, onde fica a antiga sede do Norges Bank, e chegamos à célebre Opera, cartão-postal da cidade.
Inaugurada em 2008, a construção lembra um iceberg, toda branca com exceção das partes em vidro, contando inclusive com uma espécie de "praia". É possível "subi-la" através de rampas nas laterais e a vista que se tem do topo é bem legal. Só lembrem de levar um par de óculos de sol caso o tempo esteja ensolarado, pois como tudo é branco, os olhos doem um pouco!
Almoçamos e, antes de nos despedir de Oslo, aproveitamos nosso passe 24h e fizemos um tour de ferry por algumas ilhas do Oslofjord. Parte do sistema de transporte público da cidade, normalmente ele é usado por moradores ou visitantes dos vilarejos de tais ilhas, mas como o trajeto é circular, aproveitamos o bom tempo para passear um pouco de barco, sem ter o trabalho de fazer conexões. Não há nada de espetacular, mas é um passeio bem agradável e barato.
Votamos ao albergue, pegamos nossas malas e fomos à estação de trem, onde pegamos nosso trem para Bergen. O trajeto é bem longo, dura cerca de 6h apesar dos cerca de 300 km que separam as duas maiores cidades da Noruega, isso devido à geografia que não ajuda. Oslo e Bergen estão ao nível do mar, mas entre elas há uma cadeia de montanhas que chega a mais de 1000 m de altitude. A diferença de altitude é tão grande que se observa todos os "sintomas" de viajar de avião, como ouvidos entupidos e garrafa de água inflada/murcha. Além disso, as paisagens são bem bonitas, vimos até neve no meio do caminho, com direito a temperaturas bem baixas (e eu saindo só de camiseta para tirar fotos).
Chegamos em Bergen já à noite e fomos direto para o albergue, onde tivemos uma desagradável surpresa ao ver que havia 16 camas em cada quarto...

Ciao!!!

31/07/2010: Oslo

Oi pessoal!

2º dia de viagem: céu, tobogã, BK, slott, paquitos, Ebicen, blocos, fjord, Nobel, futura casa, grito, barcos, mortos.

Nosso primeiro dia em Oslo rendeu bastante, graças ao bom tempo e ao tamanho da cidade. De manhã, o céu estava bem nublado, mas assim que chegamos à estação central para tomar nosso café-da-manhã, ele começou a abrir e ficou o dia inteiro bonito, parcialmente nublado, mas eram nuvens - como eu já disse - diferentes e muito bonitas. C'est bon pour la météo.
Comemos pães com gotas de chocolates muito bons (e baratos) e começamos nosso tour pela rua principal, a Karl Johans gate, uma via que lembra um tobogã pois começa alta na estação de trem, desce e sobe de novo quando chega no castelo. Ao longo da rua há casas muito bonitas, diversos Burger Kings e alguns pontos importantes, como a Domkirke (catedral), a Stortorvet (antiga praça central), o Stortinget (sede do Parlamento, em estilo neo-clássico com tijolos à vista), o Nationaltheater (dispensa tradução) e a Universitetet (também neo-clássica, que hoje abriga apenas a Faculdade de Direito).
O tobogã termina no Kongelige Slott, o palácio real também em estilo neo-clássico, de onde se tem um belo panorama de toda a rua. Acho que sua localização chama mais atenção que o prédio em si, comum demais. Como em Londres, ele conta com um parque em seu entorno, onde descansamos um pouco sob o quente sol nórdico. De lá, fomos em direção à Rådhus, passando no caminho pela casa de Ibsen, famoso dramaturgo norueguês cujo nome me fez lembrar o salgadinho Ebicen.
A prefeitura funciona em um prédio peculiar, que lembra aqueles brinquedos de construção de madeira, com um bloco paralelepípedo de base e dois outros formado as torres. Recomendo fortemente a visita de seu interior, que é ricamente decorado, com destaque para seus belos e gigantescos murais e afrescos bem coloridos. Além disso, é lá que ocorre a cerimônia de entrega do Nobel da Paz (apenas este, os outros são entregues em Stockholm).
A Rådhus dá de frente para o chamado Oslofjord, que apesar de assim ser chamado não é exatamente o que pensamos como fiorde, pois não há montanhas nas proximidades. De qualquer forma, a paisagem é bem bonita e ficar sentado nos bancos da praça olhando a água é bem agradável.
Seguimos então para a região de Aker Brygge, de arquitetura hiper-moderna, com muito vidro e metal em harmonia, do jeito que eu gosto. Há residências, um pouco de comércio e vários restaurantes, além da marina à beira do Oslofjord, inclusive uma parte está em expansão (já reservei minha futura casa lá). Outro ponto que se destaca na região é o Nobels Fredssenter, um museu sobre o famoso prêmio (curiosidade: acho que não há C no alfabeto norueguês, só o vemos em raras palavras estrangeiras como McDonald's).
Como é de praxe em cidades "reais" (ou não), fiz questão de assistir à troca da guarda em frente ao Kongelige Slott, mas confesso que me decepcionei um pouco. Bem simples, ela lembra a dinamarquesa, mas em escala menor. O que salva são as engraçadas roupas dos soldados, que lembram paquitos da Xuxa (não pela cor, mas pelos chapéus).
Oslo possui alguns museus interessantes, dentre os quais visitamos dois, a Nasjonalgalleriet e o Vikingskipshuset (entre os não visitados, cito o Frammuseet e o Munch-museet). O primeiro é um museu de arte, principalmente impressionista, orgulho dos noruegueses com obras de Cézanne, Manet e Munch. O último é talvez o mais célebre dos noruegueses, cuja obra O Grito já foi roubada desta mesma Nasjonalgalleriet. A propósito, O Grito é um alvo comum de ladrões, visto que outras versões da obra foram recentemente roubadas do Munch-museet (dedicado exclusivamente ao artista). Voltando ao museu, recomendo sua visita, pois além de possuir obras interessantes, é fácil de explorar (ele possui poucas salas) e é gratuito (raridade nos países nórdicos).
O Vikingskipshuset, por sua vez, é um interessante museu dedicado a três barcos vikings, Tune, Gokstad e Oseberg. Estes barcos, praticamente intactos, foram encontrados em sepulturas vikings, onde seus líderes eram enterrados, como nas célebres pirâmides em que os faraós eram sepultados junto a seus "pertences". O Frammuseet, não-visitado, fica ao lado do Vikingskipshuset e abriga um dos primeiros barcos quebra-gelo, amplamente usado na região.
Pegamos um ferry de volta para o centro e, antes de voltar para o albergue, passamos no Vår Frelsers Gravlund, cemitério onde estão enterradas personalidades como Ibsen e Munch. Lembro de uma cena curiosa que presenciamos: uma pessoa correndo (como exercício físico) dentro do cemitério. Achamos extremamente bizarro, mesmo acostumados aos parisienses viciados em corrida (já vi gente correndo de madrugada, sob chuva, sob neve etc), mas depois de refletir concluímos que isso é devido à falta de parques em Oslo. O único (e pequeno) que se encontra no centro é o parque do slott.

Tschüss!!!

30/07/2010: Oslo

Oi pessoal!

1º dia de viagem: corrida, organização, verão nórdico, improvisação, barulhos

A saída de Paris não poderia ter sido mais corrida. Desta vez, eu não precisava apenas me preocupar com minha mala, com documentos e com o RER B. Eu tinha simplesmente de deixar meu quarto totalmente vazio, pois nunca mais eu voltaria lá (snif). Portanto tive de deixar minhas coisas nas casas de amigos, o que é muito mais complicado do que se pode imaginar. Mal tive tempo (e barriga, pois estava um tanto ansioso) de almoçar e acabei saindo de casa com um picolé na mão.
Consegui chegar com suficiente antecedência em Porte Maillot, de onde saía o ônibus para Beauvais. Ainda bem, pois planejava comprar um sanduíche e vitamina C. Acontece que a fila para comprar o bilhete do ônibus estava enorme pois os guichês estavam fechados, então tive que correr bastante com minha mala depois de consegui-lo para ir atrás de meus suprimentos medico-alimentares.
No percurso para Beauvais, consegui esquecer minhas preocupações "avant départ" (fechar contas, celular etc) e me concentrei na viagem que teria pela frente e no belo tempo que estava. Foi a primeira vez que tomei um avião saindo de lá. Eu já tinha chegado de Ryanair lá, mas era de noite e nem reparei que o aeroporto era minúsculo. Há uma única sala de embarque, onde ficam todos os passageiros da Ryanair e, na ocasião, notei que praticamente todos os vôos estavam atrasados. Com exceção do meu, para Oslo.
Sinceramente, eu pensei que era apenas questão de tempo para eles nos notificarem do atraso, como é de praxe, mas a hora do embarque foi chegando e nada. Até que eu vi nossa fila com organização nórdica se formar perante o portão de embarque. Alguns minutos depois, estávamos dentro do avião, que saiu na hora exata mesmo depois de uma senhora mobilizar todo o avião pois queria se sentar ao lado de suas filhinhas.
Assim que nos aproximávamos da Noruega, a quantidade de nuvens no céu foi aumentando, mas notei que eram nuvens diferentes. Extremamente densas e de formas incomuns para um brasileiro. Muito bonitas. Aliás, não era apenas o céu que estava bonito, o mar lá embaixo também já dava uma ideia do que viria nos 10 dias de Noruega. Foram as poucas fotos que tirei nesse dia.
Chegamos no aeroporto antes da hora prevista e fui tranquilamente procurar o ônibus que me levaria à cidade propriamente dita. Mesmo sem entender norueguês, é possivel se virar muito bem por lá, como já comentei. Enquanto esperava o ônibus, pude sentir como era o verão nórdico: sol bem quente, mas vento frio. Ou seja, se você está sob o sol, é uma delícia (eu ainda não perdi meu bronzeado), se não, procure estar.
Ao chegar na cidade, já levei um susto ao observar a população. Ao contrário do que se pode pensar, em Oslo há pobres e desocupados e uma parte da população não é loira de olhos azuis. O que vale também para Stockholm e, um pouco menos, para Helsinki. Normal, vivemos em um mundo globalizado.
O albergue era bem localizado e o quarto era um mini-apartamento, com banheiro e cozinha. Só não havia microondas, justamente porque eu havia comprado meu jantar congelado. Depois de tomar banho e de comer, fui esperar minha companheira de viagem, que viria algumas horas depois de mim. E depois fomos dormir. Ou tentar dormir, pois minha experiência precedente em albergues me tirara a esperança de conseguir dormir.

À plus!!!

Viagem Norge - Sverige - Suomi 2010

Oi pessoal!

Finalmente consegui arrumar um tempo para começar as postagens de minha última viagem. No total, foram 21 dias fora (22 previstos inicialmente), divididos entre Noruega, Suécia e Finlândia do dia 31/07 até o dia 20/08.
Como é de costume, antes dos relatos farei alguns comentários gerais sobre os países, no que diz respeito a transportes, pessoas, lugares etc.
Historicamente, há uma grande proximidade entre Suécia, Dinamarca e Noruega, que chegaram a ser um só "reino" há alguns séculos. A Finlândia, por sua vez, é um país interessante pois suas origens são bem diferentes, tendo sofrido influências sueca e russa por conta da proximidade geográfica ao longo dos tempos. E isso é bem claro mesmo para um turista. A começar pela língua: o norueguês, sueco e dinamarquês são línguas muito, mas muito mesmo, próximas, principalmente na escrita. A ponto de embalagens bilíngues contarem com um texto único em norueguês/dinamarquês (por exemplo), em que apenas algumas palavras são diferentes e apresentadas com barras (como em norueguês/dinamarquês). Enquanto que o finlandês é uma língua totalmente diferente, de origem urálica, assim como o húngaro. Se hoje há algumas palavras próximas do sueco, é por causa do domínio deste país durante um período da história finlandesa.
Já que estamos falando em língua, confirmo que o inglês é amplamente falado (e fluentemente) nos três países. Durante meus 21 dias de viagem, eu não encontrei uma só pessoa que não falasse inglês. Isso em todas as faixas etárias, dos mais jovens aos mais velhos.
Outro ponto em que os "nórdicos" fazem juz à fama é na "organização". Tudo é bem organizado por lá, as pessoas em geral respeitam mesmo as regras mais toscas como não atravessar a rua quando o sinal está vermelho (mesmo se não há carros vindo). O sistema de transportes é muito bom também, seguindo o padrão germânico de qualidade. Na Noruega, ele é impecável, mesmo trens noturnos são pontualíssimos, os motoristas de ônibus conhecem os horários das outras linhas etc. Na Suécia, ele já se aproxima do padrão francês, com mais atrasos e coisas toscas como um trem de passageiros dividir uma linha férrea com um trem de transporte de minério de ferro, causa crônica de atrasos. Mas ainda assim eles são eficientes, conseguindo por exemplo recuperar mais de 30 min de atraso em um trajeto noturno. Eu colocaria a Finlândia entre os dois, pois seus trens são também muito bons e pontuais, mas com atrasos ocasionais (é óbvio que minha amostragem é muito limitada).
As paisagens nesses países também é bem variada. A Noruega é o mais exótico, dominada pelos fiordes em toda sua costa e por florestas e montanhas mais no interior (isso apenas para a parte austral, pois ao norte o país é tão estreito que depois dos fiordes já se chega na Suécia). Na Suécia, um dos maiores países europeus, as paisages são variadas, com algumas montanhas, lagos e florestas espalhados em sua extensão. Em sua costa encontram-se vários arquipélagos, como a própria Stockholm, e ao norte fica a famosa região da Lapônia, terra das auroras, dos iglus, trenós, lagos congelados e dos Sámi, é claro. A Lapônia se extende à Finlândia, onde fica a casa do Papai Noel, que não visitei desta vez. Além dela, outra célebre região é a dos Lagos, onde há dezenas de milhares de lagos, que vão até a fronteira russa.
A postagem já está ficando longa, então farei um último comentário sobre questões "econômicas". Como turista, a Noruega me pareceu de longe o país mais caro de todos, com preços às vezes duas vezes maiores que os de seus vizinhos. Isso é facilmente compreensível se levarmos em conta a quantidade quase nula de fazendas e similares nesse país, onde as paisagens naturais são bem preservadas. A Suécia ficaria no meio e a Finlândia é o país mais barato, não sei se por conta da adoção do euro (Noruega e Suécia usam suas respectivas coroas), de qualquer forma notei que os preços lá (em supermercados principalmente) não são muito diferentes dos na França.

Status das postagens:

Fotos: 0/22
Narração: 10/22
Picasa: 22/22

À plus!!!

sábado, 21 de agosto de 2010

Dernières 100 heures

Oi pessoal!

Estou de volta de minha grande jornada pelos países nórdicos. A viagem foi realmente sensacional, ainda acima de minhas expectativas (que eram grandes), mas falarei disso em breve. A postagem é para deixá-los a par de minhas últimas horas em Paris.
Na chegada, mais desventuras (nada desprezíveis) com o RER B, que serão contadas em um epílogo futuro. No momento, estou na casa de um amigo (lembrando que sou sem-teto). O dia foi bem produtivo: consegui fechar uma de minhas contas e praticamente terminei todas minhas malas. Ainda pude passear um pouco no Jardin de Luxembourg pois encontrei uma colega da CP no banco, aproveitando o tempo excelente em Paris (que aparentemente eu trouxe dos países nórdicos). Daqui a pouco vou dormir, pois amanhã vou à Disney, aproveitar um pouco do passaporte de 6 meses que ganhei não-sei-por quê. E depois ainda tenho uma conta a fechar, uma caixa a enviar pelo correio, uma visita ao Louvre de despedida e outros passeios mais.

Bis bald!!!

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

N'importe quoi sur le RER B - Capítulo final

Oi pessoal!

Bem, acredito que todos saibam que já estou em viagem. Infelizmente os últimos dias antes de vir foram muito corridos e não consegui nem atualizar o blog direito. Bem, como achei um segundo aqui em Ålesund, resolvi postar o último capítulo da série N'importe quoi sur le RER B daqui.

Eu esperava há semanas algo emocionante para fechar com chave de ouro, mas nada de muito excepcional aconteceu. Até meu último dia em Paris antes de viajar.

Eu estava em meio à correria da "tranferência de coisas" da minha casa, com meu amigo chinês. Com mochilas e sacolas hiper pesadas, decidimos pegar o T3 de Montsouris até Cité Universitaire (uma parada de T3). Ele estava sem sua imagineR, eu com, mas disse: "em todos esses dois anos em Paris, eu só vi contrôleur uma vez, não é agora que vai ter né!". O tram chega, eu o acompanho verificando se não havia controladores de fato e não achei nada. Eu me preparo para entrar e me deparo com o maldito contrôleur na minha cara.

Talvez consigam imaginar minha ira. Eu havia esperado um tempo acima do normal, por causa do peso, a porcaria chega e eu não posso entrar. No fim das contas, tenho que fazer todo o percurso à pé. Com todos aqueles quilos nas costas, esbravejando.

Ainda bem que existe a Noruega, este país lindo e tranquilizador, para me fazer esquecer de tudo. Praticamente tudo.

Assim que eu voltar, tento escrever mais alguma coisa.

À bientôt!!!

domingo, 25 de julho de 2010

Le Grand Rex: Karate Kid

Oi pessoal!

A última atividade do final-de-semana foi também uma das melhores (apesar da competição dura com o TdF). Já fazia um certo tempo que eu queria ir ao Grand Rex, um famoso cinema de Paris, o grande problema era o fato de os filmes serem quase todos dublados (um menor problema era o preço).
Isso até eu ficar sabendo das pré-estreias. Em tais ocasiões, os filmes são legendados e, melhor parte, eles são exibidos na presença da equipe do filme. O que significa que hoje vi em carne e osso Jackie Chan, Will e Jaden Smith (seu filho), ao assistir a Karate Kid. Cheguei a ficar a menos de 2 m do Will Smith e só não posso prová-lo pois o malandro do segurança nos quis fazer de trouxa. Explico a situação.
Acabamos de subir na escada rolante e o segurança fala bizarramente para ficarmos à esquerda (lembrando a regra número 1 da escada rolante parisiense: mantenha-se à direita). Um pouco inquietos, obedecemos. Até que percebemos pessoas indo pra direita e enfiando a cabeça para baixo. Fizemos igual e o que eu vejo? Will Smith sorrindo para cima, todo simpático com uma criança que estava logo depois de mim, cujo pai dizia: "Hey, Will, este é meu filho!".
Antes de o filme começar, os artistas se apresentaram no palco do enorme cinema. Enorme mesmo. Pensem em um teatro, com 2700 lugares em 3 níveis. E em uma tela gigantesca, que pode ser perfeitamente vista de todos os ângulos. Aí vocês terão uma ideia do que é o Grand Rex.
A grande pena é que agora em agosto será a pré-estreia de Salt. E ninguém menos que Angelina Jolie (e sua famille nombreuse) estará por aqui. Mas eu não estarei...uma verdadeira pena eu ter descoberto essas pré-estreias tão tarde.
A propósito, o filme é muito bom e a atuação de Jaden é impressionante. Ao contrário de Twilight, recomendo que assistam (mas terão que esperar, pois o filme só será lançado dia 18/08 aqui na França e dia 27/08 no Brasil).

(fotos em breve)

À plus!!!

Le Tour de France 2010

Oi pessoal!

Uma prova de como eu me apeguei a este país é o modo como vejo o Tour de France. Em 2008, foi "o evento" em Vichy, mera cidade de interior. Em 2009, foi minha primeira oportunidade de assistir à final. Este ano, não fui à Champs-Élysées apenas para tirar fotos dos ciclistas. Fui para assistir a um dos eventos mais importantes no calendário esportivo francês, assim como fora assistir ao Défilé Militaire do 14 Juillet, com aquele sentimento patriótico difícil de descrever. Pois é, considero a França minha segunda pátria, acima de meus ancestrais italianos e japoneses.
Bem, mas o assunto principal não é a França. Infelizmente, este ano não pude assistir às 8 voltas, apenas à metade, pois tinha um compromisso logo em seguida e os ciclistas estavam atrasados. Pude identificar o Maillot Jaune, que não fazia ideia do que era até o ano passado, bem como alguns nomes de equipes. Para aqueles que estiverem em Paris no final de julho, não percam tal evento. É muito legal ver os ciclistas passando mais rápido que os carros, com suas roupas coloridas. Tentem achar os Maillots Jaune, Vert e à Pois.
O "grande vencedor" (há vários vencedores, rigorosamente) foi Alberto Contador, pela 3ª seguida, para dar continuidade à hegemonia espanhola nos esportes em 2010. Confesso que não era meu favorito. Tirando o Brasil e Roger Federer, não gosto de ver sempre o mesmo ganhando.

(fotos em breve)

That's all folks!!!

Hora da verdade

Oi pessoal!

Nesta semana, tive a confirmação de minha data de retorno: dia 26/08 de manhã já estarei em terras paulistanas, depois de 2 anos, 1 mês e 13 dias na Europa. Interessante notar que meu voo de volta será idêntico ao da vinda, com conexão em Madrid.
Acho que a melhor resposta à pergunta "e aí, está contente de voltar?" é: sim, contente de voltar, mas muito triste de partir. Minha capacidade de prever o futuro é bem limitada, mas é possível que eu não me apresente tão empolgado perante família e amigos logo depois do retorno. Eu me justifico precipitadamente: não é que não estou contente de revê-los, é simplesmente que eu sempre soube que estariam aqui quando eu voltasse. Ao contrário das pessoas que conheci nesses pouco mais de dois anos, que muito provavelmente nunca mais verei.
Além disso, ainda tem a questão do stress da busca pelo estágio e por trabalho. Por isso peço um pouco de "paciência".
Bem, ontem fiquei quase o dia todo fazendo malas. Consegui adiantar bem minhas três malas. O mochilão ainda não deu e ficará para os meus últimos quatro dias em Paris, quando voltar da Finlândia. E falta ainda pesá-las, mas tenho quase certeza que já ultrapassei os limites. Vou tentar dar um jeito, mas jogar fora não jogo mais nada que entrou nessas malas. Essas coisas não têm preço. Ah, não sei se é minha mania de organização que é muito forte, mas fazer as malas foi muito menos deprimente do que eu imaginava.

À toute à l'heure!!!

Twilight: Inception

Oi pessoal!

Infelizmente, o título desta postagem só fará um pouco de sentido para os que conhecem os títulos da série dos vampiros em francês. Temos sempre algo que termina com -tion, como Fascination e Tentation (não precisa de tradução, né?).
Bem, a ideia era assistirmos à Inception, filme de ficção científica estrelando meu xará Di Caprio, mas chegando lá descobrimos que a sessão estava lotada. O problema é que não tínhamos muitas opções, lembrando que a grande maioria dos filmes é dublada. Mas queríamos assistir a alguma coisa. Depois de convencidos pelo membro feminino do grupo, aceitamos assistir a Twilight: Hésitation.
Antes do filme, ela nos explicou a "complexa" história dos dois primeiros capítulos, sem a qual nosso aproveitamento do filme seria 0,01% menor. Espero que não seja essa a sensação que uma pessoa que não leu Harry Potter tem ao ver seus filmes. Isso porque esse filme é um lixo, um dos piores de que me recordo (mesmo nível da Lagoa Azul). E olha que eu sou muito pouco crítico quanto a cinema! Dada a quantidade de livros vendidos, de duas uma: ou a escritora sabe enrolar melhor que Eça de Queirós ou a adaptação do filme é tosquíssima.
Mas é verdade que demos umas risadas, principalmente nas cenas desnecessárias e propositalmente inseridas para atrair o público adolescente feminino. Bem, fica então a recomendação: não assistam ao filme.

Tschüss!!!

Soirée Poker

Oi pessoal!

Desculpem-me pelo atraso na narração dos fatos, mas como não é surpresa, as coisas andam muito corridas por aqui. Como eu gosto de fazer, postarei cada um dos fatos recentes separadamente.
O primeiro deles foi uma soirée ("festa") organizada por minha chefe na casa de um de nossos colegas, para celebrar seus 30 anos de empresa (e ela só tem 51 anos!). A discrição faz com que eu os deixe bem longe dos detalhes, só digo que foi uma soirée inesquecível com pessoas muito legais, queridas e engraçadas. Um dos pontos altos foi nossa partida de poker, entre umas dez pessoas, sendo metade iniciante. Eu devia ser o único a nunca ter jogado e confesso que gostei bastante. Por um lado é bom que eu não tenha o menor talento para a coisa, assim fico bem longe do risco de me viciar e só posso jogar de "brincadeira".
Uma pena que o estágio está no fim, assim não teremos tempo de organizar uma segunda soirée poker.

Ciao!!!

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Dernière course

Oi pessoal! Salut tout le monde!

Depois do último corte de cabelo há duas semanas, hoje foi a vez das últimas compras no supermercado. É muito triste pensar que não mais verei meu adorado Carrefour Market a cada 10 dias. Não sei o que sentirei ao carregar novamente (para outro fim) minha adorada sacola da Nouvelle VW Golf, que ganhei no Mondial de l'Automobile Paris 2008. Cujo pôster já foi enrolado e nem está mais fixado na minha parede. Nem minha Joconde. Nem meu Neuschwanstein. Nem minha Europa.
Ok, estes foram os minutos depressivos do dia. Agora vou dormir pois o dia de amanhã reserva mais despedidas (meu chefe sai de férias).

Après la dernière coupe de cheveux il y a deux semaines, aujourd'hui a été le tour des dernières courses. C'est très triste de penser que je ne verrai plus mon "cher" Carrefour Market chaque 10 jours. Je ne sais pas ce que je sentirai en portant à nouveau mon cher sac-cabas de la Nouvelle VW Golf, que j'ai gagné au Mondial de l'Automobile Paris 2008. Dont le poster a été gardé et n'est plus collé sur mon mur. Ni ma Joconde. Ni mon Neuschwanstein. Ni mon Europe.
Ok, c'était la pause déprim' de la journée. Là je me couche car demain il y aura encore des adieux (mon chef part en vacances).

À bientôt!!!

domingo, 18 de julho de 2010

Ciao ciao

Oi pessoal!

Este foi um final-de-semana de rencontros e despedidas. Já havia começado na sexta, quando fui ao Louvre com um amigo politécnico, e continuou sábado e hoje. Ontem de manhã saí com meu amigo da escola que está com a família de férias por aqui, fomos ao Institut du Monde Arabe e ao Marais. O primeiro é um prédio bem moderno e interessante próximo à Jussieu, que possui um terraço espetacular (9º andar), de onde se tem uma super-vista da Notre-Dame e região. O tempo não estava muito bom, por isso voltei lá hoje (já falarei disso).
O Marais vocês já conhecem, é uma região "bem particular", boa para aqueles que buscam um bairro "verdadeiramente parisiense". O grande destaque do quartier para mim é a Place des Vosges, onde tomamos um café. De lá passamos nos Archives Nationales, onde fomos convidados a assistir a um ensaio de um concerto de música clássica. Muito legal!
Na sequência, tive que abandoná-los pois tinha um outro compromisso, um piquenique com amigos da CP (e um da PC) que vieram para Paris. Foi também muito agradável, principalmente pois o tempo estava bom, com um pouco de sol e uma brisa fresca. Para terminar o dia, fui ao Forum des Halles comprar meus presentes de aniversário (comprei um livro de Paris SENSACIONAL) e aproveitar um pouco as Soldes. Mesmo com a mala cheia, não resisti a comprar uma blusa de inverno [brasileiro] que custou 13,50€ (e que custaria uns R$ 60,00 no Brasil).
Hoje o dia começou com um pouco de arrumação de tralhas e, perto da hora do almoço, fomos ao Institut du Monde Arabe. Com o céu azul, a vista era ainda mais bonita. Podem-se ver as costas da Notre-Dame, Bastille, Père Lachaise, La Défense, Arc de Triomphe, Tour Saint-Jacques, Sacré-Coeur, Centre G. Pompidou, Saint-Eustache etc. Visita muito recomendada, principalmente pois é de graça (para todos).

Institut du Monde Arabe

Institut du Monde Arabe

Notre-Dame vista do Institut du Monde Arabe

Centre G. Pompidou, St-Eustache et Sacré-Coeur vistos
do Institut du Monde Arabe

La Défense vista do Institut du Monde Arabe

"Cortina mecânica", Institut du Monde Arabe

De lá fomos almoçar em um pequeno restaurante no Quartier Latin e então nos despedimos de nossa amiga "alemã". No caminho para o RER B, notei que havia pessoas no domo do Panthéon e, mesmo depois de ser "abandonado" por meus amigos (todos tinham compromissos), não resisti e fui lá também. Não teria como resistir: dia perfeito, estava lá em frente, é de graça, havia uma pequena fila, adoro Paris, adoro vistas panorâmicas e meus dias em Paris estão contados. Depois de subir tantas torres, domos etc, nem sofro mais, é tranquilo. E as vistas lá de cima, como era de se esperar, são lindíssimas. O Panthéon é bem posicionado, pois fica no alto de uma pequena colina, assim é possível ver quase toda a cidade. Bem, vou deixar que as fotos falem por mim, pois tenho que continuar minhas malas e dar o toque final no planning da viagem.

Pêndulo de Foucault, Panthéon

Coluna coríntia, Panthéon

Mezanino, Panthéon

Domo, Panthéon

Vista do domo, Panthéon

Notre-Dame vista do Panthéon

Sacré-Coeur vista do Panthéon

Tour Saint-Jacques vista do Panthéon

Louvre visto do Panthéon

Tour Eiffel e Invalides vistos do Panthéon

Saint-Sulpice, La Défense e Arc de Triomphe vistos do Panthéon

Vista do domo, Panthéon

Vista do domo, Panthéon

Vista do domo, Panthéon

Telhados e chaminés, Panthéon

Louvre e Palais Garnier, Panthéon

Panthéon

Tschüss!!!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Musée du Louvre - 23ème fois

Oi pessoal!

Uma das coisas de que eu mais sentirei falta de Paris e que me levará a voltar frequentemente para cá é o Louvre. O Louvre não é apenas um museu; é um lugar de passeio muito agradável. Tanto que as visitas de que eu me lembrarei melhor serão sem dúvida as acompanhadas, como a de hoje, com um amigo da Poli que veio passar uns dias em Paris.
Muito gostosa a sensação de andar por suas salas imensas batendo papo e parando de vez em quando para apreciar alguma obra. Melhor ainda quando você pode compartilhar o que aprendeu.
Chega de nostalgia antecipada, vou dormir pois o final-de-semana será agitado.

À plus!!!

quinta-feira, 15 de julho de 2010

14 Juillet 2010

Oi pessoal!

Ontem foi o aniversário de 221 anos da queda da Bastille, um dos dias mais importantes no calendário francês. Como vocês devem se lembrar, a Fête Nationale em Paris possui dois eventos máximos, o Défilé Militaire e os Feux d'Artifice, a que eu assisti mais uma vez, apesar do cansaço, da quantidade de coisas para fazer e, principalmente, do tempo desfavorável.
O dia começou bem, muito bem. Céu azul, temperatura amena, ideal para um desfile militar. Desta vez eu não queria assistir do Quick, então acordei cedo e cheguei a tempo de pegar um lugar bem razoável com uns amigos. Estava contente, até ver que o céu estava sendo dominado por nuvens, muitas nuvens.

Cité Internationale Universitaire de Paris

O desfile começou, consegui ver o Sarkozy e os Polytechniciens, já estava satisfeito, pois o resto já tinha visto ano passado. Mas São Pedro abusou. Tudo bem que eu já tinha visto, mas aquela tempestade era totalmente desnecessária, principalmente porque éramos cinco pessoas e um guarda-chuva. Ou seja, fiquei todo ensopado, da cabeça aos pés, literalmente. e não conseguimos ver direito o final do desfile. Na corrida até a estação de métro, que estava entupida de gente, terminei de molhar todas as minhas roupas.

Armée africaine, Défilé Militaire

Armée africaine, Défilé Militaire

Nicolas Sarkozy, Défilé Militaire

Armée africaine, Défilé Militaire

Armée africaine, Défilé Militaire

Drapeau français, Défilé Militaire

Armée africaine, Défilé Militaire

Polutechniciens, Défilé Militaire

Polytechniciens, Défilé Militaire

Voltei para casa, tomei um banho quente e saí logo em seguida, pois iria almoçar com um amigo brasileiro de férias com a família na Europa. Troquei completamente de roupa, mas assim que cheguei em seu hotel, meus tênis, meias e calças já estavam molhados de novo. Isso nunca me ocorrera em Paris, mas era uma sensação familiar. Afinal, sou paulistano.
Nós fizemos um agradável passeio pelo Quartier Latin à tarde, depois que o tempo abriu. Comemos uma deliciosa crêpe e demos umas voltas nas proximidades do boulevard Saint-Germain.
À noite, eu ainda fui ver os fogos na Tour Eiffel. Estava cansado e sabia que o gramado estaria molhado, mas fomos preparados com bons sacos plásticos para sentar. E conseguimos um bom lugar, logo depois de uma poça de água, assim garantíamos que não haveria (quase) ninguém na frente. Este ano não tivemos que aguentar o Johnny Hallyday, o que foi uma grande melhora, mas os fogos foram bem mais simples (lembrando que ano passado foi a comemoração de 120 anos da Tour Eiffel). De qualquer forma, foi um belo espetáculo. E a volta foi também muito melhor pois, "experimentados", nós saímos correndo em direção ao métro assim que os fogos acabaram. À 0h30 eu já estava dormindo (1h mais cedo que há um ano).

École Militaire

Tour Eiffel

Tour Eiffel

Tour Eiffel

Tour Eiffel

Tour Eiffel

Tour Eiffel

Tour Eiffel

Tour Eiffel

Tour Eiffel

Tour Eiffel

Tour Eiffel

Tour Eiffel

Tour Eiffel

Resumindo, meu "último" 14 Juillet foi menos legal que o "primeiro", mas ainda assim foi bom. E fiquei contente de ter visto o Sarkozy, tenho que confessar.

À plus!!!