Oi pessoal!
6º dia de viagem: espelho, balsa, montanha, panorama, cidade de pedra, farmácia Art Nouveau, peste, noite em claro.
Nosso primeiro ônibus do dia partiria somente às 9h50, por isso decidimos descansar bastante e dormir até às 8h. Acordamos, tomamos um breve café-da-manhã e demos mais uma volta nos entornos. Começamos pelo próprio albergue, que descobrimos ter uma quadra de vôlei de praia, um campo de futebol e até uma churrasqueira. Não fosse a enorme diferença na latitude, muito parecido com um sítio no Brasil. Como o tempo estava ótimo, decidimos descer até a beira do fiorde, desta vez a pé. A cidade fica na encosta da montanha, com várias "curvas de nível", para evitar desastres como os que vemos durante nosso verão. Assim, "descer até a beira do fiorde" (e principalmente, o caminho de volta) foi uma atividade bem cansativa. Mas vale muito a pena. Em Sandane/Vereide, fica uma porção bem calma do Nordfjord, que forma um espelho d'água bem bonito, como vocês podem ver nas fotos abaixo.
(fotos Nordfjord)
Chegou a hora de pegarmos nosso ônibus e a gerente do albergue nos levou até o ponto mais uma vez. Para agradecer toda a hospitalidade, deixamos uma lembrancinha brasileira para ela. A propósito, dica de viajante: quando for viajar, sempre leve algumas lembranças do seu país. É muito legal trocar lembranças com locais ou com outros viajantes.
O trajeto Sandane - Ålesund começou em uma balsa. A primeira de várias, em que nos divertíamos tirando fotos, tomando sol e fugindo do vento que ficava cada vez mais frio (só para lembrar, estávamos indo para o norte). Nas baldeações, dávamos uma breve volta pela cidade também.
Chegamos em Ålesund por volta das 13h30. Almoçamos, deixamos nossas coisas no albergue e saímos para passear. O albergue, a propósito, parecia mais um improvisado. Não sei bem se ele só funciona no verão ou se foi apenas "restaurado" como albergue. De qualquer forma, era bem simpático.
Começamos nosso passeio pelo Aksla, um parque-montanha ao lado do nosso albergue. Para chegar ao célebre ponto de observação, deve-se subir muitas escadas. No topo, há rotas de caminhada no bosque, um restaurante e o já citado ponto de observação. De lá, tem-se uma belíssima vista da cidade e da região. A cidade é constituída por três porções de terra principais, e lá de cima é possível ver as ilhotas. Pode-se ver também as várias montanhas que circundam a cidade. Mais fácil mostrar que explicar.
(fotos panorama cidade)
Ålesund é uma cidade considerada única na Noruega, devido ao seu estilo arquitetônico diferenciado. Enquanto nos resto do país domina a madeira (construções antigas) e o aço-vidro (modernas), lá as casas são, em sua maioria, de pedra. Para explicar a razão disso, vou contar um pouco da história da cidade.
Ålesund era uma cidade norueguesa como as outras, i.e., cheia de casas de madeira, até o início do século XX, quando houve um grande incêndio na cidade. Apesar de a cidade ter sido totalmente destruída, parece que houve apenas uma morte em cerca de 10.000 desalojados. Nos três anos seguintes, a cidade foi reconstruída pelo Kaiser Wilhelm (Alemanha), que frequentemente passava suas férias na região, no estilo Art Nouveau, a moda na Europa àquela época. Poucos arquitetos foram encarregados da reconstrução, daí a harmonia e uniformidade no estilo da cidade. São poucas as cidades no mundo construídas no estilo Art Nouveau e com essa harmonia, o que torna Ålesund tão especial. Não tive tempo de visitar, mas dizem que o Jugendstil Senteret, construído em uma antiga farmácia, é bem interessante, apresentando Ålesund e o estilo Art Nouveau (que em norueguês é jugendstil).
As casas em Ålesund são muito coloridas, quase sempre com torres e o ano de sua construção é comumente indicado (pode-se verificar que a grande maioria foi construída entre 1904 e 1907). Caminhar por suas ruas inclinadas e próximas à água é muito gostoso. Para os preguiçosos, tem até um trenzinho que dá uma volta pela cidade.
Enquanto preparávamos nosso jantar no albergue, encontramos mais franceses, que parecem ser piores que brasileiros. Nos países nórdicos, pelo menos, foi a nacionalidade estrangeira que mais encontrei. Quase em todas as cidades que visitei havia algum francês perdido. E, de um modo geral, eles são muito bons turistas: não são barulhentos, são discretos, simpáticos e abertos. Esta não seria a última oportunidade de parler français durante minha viagem.
Enfim, depois de me atualizar dos acontecimentos do mundo, de mandar sinais de vida para a família e de me exibir no Facebook, fui dormir. Mais uma vez, sob a luz do sol.
さようなら!!!
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