Oi pessoal!
5º dia de viagem: museu, balsa, mala perdida, construção, cortesia, tour privativo, bike tour.
Depois de uma excelente noite de sono em uma casa de madeira aconchegante, entre montanhas e com a barriga cheia de uma deliciosa macarronada ao molho de tomate com atum (que virou nossa especialidade), estávamos muito bem dispostos para conhecer o vilarejo de Flåm.
A cidadezinha não tem muitas atrações, mas sua localização é muito agradável. Demos uma volta na "praia", onde encontramos um horrendo cruzeiro chegando, só para perturbar nossa paz. Uma caminhada à beira de um fiorde é uma atividade que recomendo para todos. Principalmente para aqueles que buscam "paz de espírito".
Depois de varrer a cidade de ponta a ponta, fomos ao Flåmsbanamuseet, o museu dedicado à ferrovia inclinada que tornou Flåm uma das cidades mais visitadas da Noruega. O museu é bem pequeno, mas gratuito, por isso vale a visita. Ele apresenta diversos objetos relacionados à construção da Flåmsbana, como documentos, instrumentos de projeto, placas diversas, miniaturas de trens da NSB, uma ferrovia em miniatura e, também, um vagão real de um trem antigo.
Terminamos nossa visita, passamos pelas lojas, que estavam abrindo, sentamos para nosso almoço (sanduíches de salame e queijo) em uma mesa de madeira, tomamos um pouco de sol (que resolveu aparecer e se instalar de vez) e fomos em direção ao ponto de ônibus. Por volta das 12h, já estava eu no primeiro de vários ônibus que me permitiriam concluir essa jornada pelos países nórdicos (sou muito grato a esses ônibus, onde passei uma importante parte da minha viagem).
Eu já disse e repito: as paisagens por lá são lindíssimas. A ponto de eu não conseguir dormir (ou melhor, cochilar) nos ônibus e trens, mesmo quando muito cansado, só para ver e fotografar as paisagens. Esse primeiro trecho, em particular, justamente por ser o primeiro, foi marcante. A sensação que tive quando percebi que o ônibus entrava em uma balsa (esta também, a primeira de várias) foi parecida com a que tinha quando ganhava meus jogos de Gameboy. Antes que pensem "que raios ele está falando?", explico: quando o ônibus entra na balsa, os passageiros podem sair do ônibus e ficar passeando pelo barco que, às vezes, era bem legal. Tiramos muitas fotos, tomamos bastante sol e, também, bastante vento. Uma dica: nesses barcos, normalmente há um lado que é atingido pelo vento e o outro fica no "vácuo". Torçam para o sol e as melhores paisagens estarem no lado do "vácuo", assim não vão precisar colocar e tirar agasalhos a cada cinco minutos.
Quanto à paisagem em si, foi a primeira vez em que andamos de barco entre os fiordes. É um cenário encantador, muito bonito mesmo. Vou economizar nas palavras, acho mais eficiente mostrar algumas fotos.
(fotos fiordes balsa)
Este primeiro ônibus levou-nos a Sogndal, onde pegaríamos outro ônibus para Sandane, onde ficava nosso albergue. Mais uma dica de mochileiro: quando estiverem viajando de ônibus em um lugar desconhecido e não entenderem [quase] nada da língua local, fiquem muito atentos às paradas, pesquisem com antecedência o trajeto e, acima de tudo, não tenham vergonha de perguntar a alguém (as pessoas, em geral, são muito prestativas nesse ponto) quando chegará seu ponto. Vocês já devem estar imaginando o que aconteceu. Bem, estávamos atentos às placas, por isso mesmo quando chegamos a Sogndal (é também um bom exercício de memória lembrar dos nomes das diferentes cidades) preparamo-nos para descer. Assim que o ônibus parou, confirmamos com o motorista que estávamos em Sogndal e descemos do ônibus. Posicionamo-nos ao lado da porta do bagageiro, esperando que o motorista abrisse-a, mas levamos um belo susto quando ele começou a andar. Isso mesmo, o ônibus estava indo embora. Com nossas malas. Demorou uma fração segundo para a ficha cair, durante a qual pensei: "devo estar sonhando acordado". Mas quando caiu, começamos a correr desesperadamente atrás do ônibus, como aquelas pessoas em filmes, correndo atrás do trem que está partindo com algo/alguém importante. Felizmente, um dos passageiros avisou o motorista a tempo, que parou o ônibus e reabriu a porta. Entramos e percebemos que estávamos de fato em Sogndal, mas não em seu ponto final. Morrendo de vergonha, encolhemo-nos nos primeiros bancos e lá ficamos quietinhos até chegar na rodoviária. Hoje, penso: "que graça tem viajar sem imprevistos? São justamente essas as histórias mais marcantes."
A rodoviária de Sogndal é mais ou menos do tamanho de um posto de gasolina. Tinha um guichê de vendas (fechado), uma lanchonete (fechando) e um espaço de espera. Poucas pessoas aguardando, um lugar muito calmo. E chato. Decidimos dar uma volta pela cidade, com nossas malas mesmo. Ainda não tinha a manha de deixar a mala em um lugar qualquer para andar mais livremente. Mais tarde descobri que, por essas bandas, o risco de alguém levar sua mala embora é muito pequeno.
Sogndal é uma cidade de verdade, com casas e comércio, e um importante carrefour de transportes. Muitas linhas de ônibus e rodovias passam por lá, inclusive a nossa, em direção ao Nordfjord. Ao invés de aguardar por nosso ônibus na "rodoviária", esperamos em um banco à beira-mar, sempre comendo sanduíches, é claro. Pude inclusive ver como um norueguês constrói sua casa sobre a água. Difícil explicar, peço que vejam a foto abaixo.
(foto casa água)
Chegou a hora de nos despedirmos de Sogndal, em direção a Sandane. Lá nos esperava a gerente do albergue, com quem trocamos vários e-mails e que se mostrou hiper-simpática e acolhedora. Foi assim: estávamos preocupados pois o ponto de ônibus ficava meio longe do albergue, a cerca de 2 km, e não queríamos andar com nossas malas pela estrada. Perguntamos-lhe se achava possível que o motorista do ônibus nos deixasse no meio do caminho, e como resposta ela disse que provavelmente sim, mas que não nos preocupássemos com isso pois ela poderia nos buscar de carro. Pois bem, ela foi lá nos buscar.
Não bastasse isso, ainda nos contou bastante sobre a região (uma das poucas com agricultura desenvolvida no país), respondeu nossas milhares de perguntas bobas (por exemplo, se o fiorde congelava no inverno - sim, inclusive pode-se andar de patins ou do que você quiser) e nos levou para ver um barco viking de verdade, guardado em um galpão.
Chegamos no albergue, que funciona como centro de atividades esportivas, e a gerente perguntou se queríamos passear de bicicleta. Normalmente, esses lugares tiram o máximo de dinheiro que podem dos turistas, por isso achei curioso que ela nos ofereceu as bicicletas de graça. Arrumou dois capacetes, explicou uma rota possível e fomos. O sol já se "punha" atrás das montanhas, mas mesmo assim estava claro o suficiente para aproveitarmos bastante. Fomos bem longe, passamos no meio de uma plantação (de morangos, se não me engano - se eu tivesse parado para experimentar um não teria esquecido...) e até nos perdemos. Foi muito gostoso pedalar à beira do fiorde.
De volta ao albergue, preparamos nosso delicioso macarrão ao molho de tomate com atum e jantamos assistindo a uma espécie de reality show norueguês, em que casais jovens que pretendem ser pais cuidam de crianças de outras famílias, um teste para ver se serão capazes ou não. Pelo que me lembro, não se davam muito bem, não.
Este foi o segundo dia em que fui dormir com o céu claro. Muitos reclamam. Eu não me incomodo nem um pouco :)
Bis bald!!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário