Oi pessoal!
Sexta-feira, depois do jogo do Brasil, fui ao Louvre visitar o departamento de objetos de arte, o último capítulo de meu guia. Rigorosamente, as peças encontradas nos departamentos de antiguidades também são objetos de arte, mas por questões de organização, eles são colocados a parte.
Encontram-se lá portanto objetos a partir da Idade Média, passando pelo Renascimento e terminando nos apartamentos de Napoléon III. Infelizmente, algumas das salas estavam fechadas, por isso terei que voltar lá em breve para completar a postagem. Por questões de praticidade, farei uma só postagem, que depois atualizo com as novas fotos (já atualizada).
As primeiras obras datam na verdade do Baixo Império Romano, sob Constantino, imperador romano que adotou o cristianismo como religião oficial. São peças em marfim que ressaltam os triunfos de Roma, com a inovadora presença de Cristo. O mesmo Constantino foi responsável pela fundação da segunda capital do Império, Constantinopla, onde a influência grega era mais forte que em Roma. Até sua conquista pelos turcos, os temas eram bem próximos aos romanos, com a diferença das inscrições nas peças, em grego. Após a ocupação turca, a arte bizantina passa a sofrer forte influência do Islã, cujas obras possuem um departamento exclusivo, que infelizmente só reabrirá em 2012.
L'Empereur triomphant, Musée du Louvre
Arte bizantina, Musée du Louvre
Seguindo a cronologia, chega-se à Idade Média, cuja primeira representante estilística é a arte carolíngia. Charlemagne, grande monarca da época, sonhava em ressuscitar a grandeza do Império Romano Ocidental, e para isso investia consideravelmente nos ateliês de arte. Além dos trabalhos em marfim e do retorno do bronze, as peças em ouro receberam grande destaque, com detalhes que impressionam. Enfim, por volta dos séculos XI e XII, surge o que se chama de arte romana, com o desenvolvimento de técnicas de esmalte.
Plaques de la reliure du psautier de Dagulf, Musée du Louvre
A partir do final do século XII, uma representação mais realista e natural da Natureza substitui as convenções romanas: é o nascimento do estilo gótico. Expressões mais "doces" e corpos mais delicados dominam as obras, como já havia sido observado nas esculturas (lembrando que em Objetos de Arte as "esculturas" são menores e usadas como adornos de peças). Os materiais continuam os mesmos: ouro, prata, esmalte e, principalmente, marfim. No final do século XIV, no entanto, começam a aparecer as tapeçarias. Outro ponto importante: além da Igreja, a burguesia passa a financiar os ateliês de arte.
Como em outras artes, o Renascimento trouxe temas clássicos aos objetos de arte. Neste caso, é interessante notar a evolução dos materiais e das técnicas usadas. Enquanto o ouro continua sempre "na moda", a cerâmica e os cristais passam a ser mais presentes, principalmente na Itália. Na França, aparecem igualmente peças em cobre esmaltado, especialidade de Limoges.
A partir do século XVII, um tipo especial de objeto de arte passa a ser bem presente: o mobiliário. Cadeiras, sofás, camas, mesas, armários etc. Tudo com ricos detalhes em madeira nobre, que nos dão ideia de como eram os palácios reais ou as simples casas de nobres da época. A tapeçaria também possui diversos exemplares, pois fora fortemente incentivada sob Henri IV, que chegou a proibir a importação de peças de Flandres. Seus temas eram frequentemente inspirados em pinturas, como é o caso de Charles Le Brun. De um modo geral, os estilos variam sob cada rei: clássico sob Louis XIV, rococó sob Louis XV e neoclássico sob Louis XVI.
Tapeçaria, Musée du Louvre
Porte à la salamandre, Musée du Louvre
Durante a Revolução, a produção de objetos de arte foi obviamente interrompida e só pôde ser retomada sob Napoléon I. Este foi responsável por um grande pedido de mobiliário, porcelanas, prataria e outros objetos preciosos para decorar os palácios imperiais. A partir de sua queda e da ascensão da "pequena burguesia", os estilos diversificam-se consideravelmente.
O departamento "termina" com os impressionantes apartamentos de Napoléon III, que datam de 1861. Vários artistas trabalharam no mobiliário, esculturas, afrescos, tapeçarias, lustres e objetos diversos. O que se vê hoje no Louvre é o resultado original desse trabalho.
2 comentários:
Último capítulo do livro...será que foi a última vez que visita o museu ?
não...tenho que visitar as salas que estavam fechadas e aí sim pretendo fazer minha visita despedida
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