quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Principe de précaution

Oi pessoal!

Hoje "descobri" porque em certas ocasiões os franceses parecem ser tão neuróticos. Antes de continuar, eu gostaria de deixar claro que quando eu digo "franceses" não me refiro necessariamente à toda a população francesa, mas a uma parte dela (se maioria ou minoria, pouco importa); e que meu sentimento em relação a essa neurose/super-exigência é ambíguo: às vezes me incomoda, às vezes a admiro (acho legal uma sociedade ser exigente em relação ao que lhe é oferecido pelo Estado ou por empresas privadas).
O ponto central é o seguinte: pessoalmente, acho que em certos momentos as pessoas exageram na dose de precaução, beirando a neurose. O melhor exemplo que posso apresentar é o seguinte, retirado de minhas experiências no dia-a-dia: os parques e jardins parisienses são fechados quando neva, pois as pessoas podem se machucar escorregando no gelo etc. É fato que existe o risco, mas em países como todos os que visitei em minha viagem pelo Leste Europeu, as pessoas podem se divertir com a neve nos parques, que ficam lindos cobertos de branco. Principalmente quando esses parques possuem castelos, caso de Versailles, que ficou fechado no final-de-semana passado por causa do mau tempo (e que me irritou profundamente, pois eu pretendia ir lá).
Eu sempre fui um militante da precaução e da prevenção, medidas melhores que a remediação, mas tenho plena consciência de que, a partir de um dado momento, precaução pode virar obsessão. Entre proibir as pessoas de entrar em um parque e bloquear ruas e calçadas, a diferença é pequena...
Enfim, voltando à frase inicial, hoje fiquei sabendo que o chamado Principe de précaution está escrito na Constituição francesa. Ou seja, as autoridades são obrigadas por lei a agir no sentido de prevenir um dado problema, a partir do momento em que existem meios científicos e/ou técnicos que prevejam a possibilidade de perigo. No texto, o princípio se aplica ao "meio ambiente", mas acredito que na prática a diferença entre os domínios não seja muito nítida. Assim, setores como saúde e segurança pública usufruem do mesmo princípio.
Mudando de assunto: tenho percebido que ando escrevendo estranho em português. Se por um lado isso indica que estou pensando mais em francês e adquirindo mais fluência nesta língua, por outro me avisa que terei que me readaptar por um certo tempo depois que voltar para o Brasil. Detesto escrever feio.
Outra coisa: a descoberta do dia aconteceu durante uma visita a uma estação de tratamento de água, que foi extremamente interessante. É muito legal ver "ao vivo" como a água que bebemos é tratada.
Mais uma coisa: desculpem-me pelo atraso com as postagens da viagem. Peço um pouco mais de paciência, mas enquanto isso podem ver meu Picasa, que já está atualizado.
Última coisa: como consta na seção Prochains arrêts, irei para a Irlanda dia 29/01, aproveitando que não tenho mais aulas a partir do dia 25/01. O roteiro ainda está indefinido (visto que decidi isso bem em cima da hora), só sei que vou passar por Belfast e por Dublin e que ficarei por lá 6 dias (volto dia 04/02).

Tschüss!!!

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