terça-feira, 7 de setembro de 2010

13/08/2010: Orsa

Oi pessoal!

15º dia de viagem: pontualidade, fast food, parque dos ursos, brincalhão, dorminhoco, revoltado, feliz, preconceito, cidade grande, baladas, navio, sótão.

A noite de sono, como eu já esperava, foi muito tranquila. Como eu havia ido dormir cedo, acordei cedo também e fui dar mais uma volta pela cidade, antes de pegar o ônibus para o Orsa Grönklitt Björnpark. Foi nesta volta que eu fui ao cemitério da igreja ver as lápides de Zorn e de sua mãe (na véspera eu havia pego um folheto com indicações dos túmulos famosos).
O programa do dia era visitar uma espécie de zoológico dedicada a ursos, tigres, lobos e outros, o Orsa Grönklitt Björnpark (björnpark = parque dos ursos). O ônibus saindo de Mora foi super pontual, graças ao motorista, um senhor de uns 70 anos que me pareceu bem certinho. No percurso, que dura cerca de 30 min, vi o primeiro McDonald's dos últimos nove dias de viagem, o que mostra que o mundo não está perdido.
Chegando em Grönklitt, que eu descobri ser uma espécie de resort, tive que andar um pouco até descobrir onde era a entrada para o parque. Logo que entro, já deparo com um lobo correndo. Dentro de um cercado, claro. Vou tentar explicar como o parque é organizado. Como um zoológico, ele possuí várias ruas principais, ao lado das quais há "cercados" para os animais. Mas há uma grande diferença, pois os animais ficam em espaços tão grandes que quase sempre é necessário paciência e sorte para vê-los. A ideia é justamente imitar a natureza, onde você deveria, munido de binóculos, por exemplo, ficar parado em um ponto de observação apropriado para conseguir avistar algum animal. Assim, o lobo que vi logo na entrada foi um "achado", que imagino ter sido ajudado pelo fato de eu ter sido um dos primeiros a entrar no parque (mais tarde, os animais ficavam mais escondidos). Outro diferencial do parque é que ele não é plano. Há uma diferença razoável de altitude de uma extremidade a outra, suficiente para cansar as pernas de um viajante há 15 dias fora de casa. Há ainda plataformas de observação elevadas, onde você sobe para ver os ursos de cima.
Ignorando o lobo na entrada e um urso dorminhoco por que passei, o primeiro animal que vi foi um urso polar. Se minha memória não falha, foi o primeiro que vi em minha vida. Na verdade eram dois ursos, enormes (afinal, são os maiores carnívoros terrestres), mas jovens, que brincavam com um galão de plástico semi-preenchido com água, que simula um bloco de gelo ou um filhote de foca. De acordo com a responsável pela área, eles brincam com o galão até ele ser destruído. Depois disso, voltam para sua soneca.
Depois dos ursos polares, achei um tigre. Enorme, muito bonito e dorminhoco. No período que fiquei observando-o, consegui flagrar apenas uma "levantada". Mas acho que ele estava sonhando apenas, porque, como podem ver abaixo, nem abriu os olhos direito. Mais tarde, consegui tirar umas fotos legais dele do alto da plataforma. Eu não tinha binóculos, mas minha lente 55-200 mm ajudou bastante nessa hora (200 mm equivale a 11x de zoom)!
Passei pela hibernadora, um local criado, como o nome sugere, para os ursos hibernarem durante o inverno, e segui para as plataformas de observação. Lá eu fiquei um bom tempo, pois além de conseguir ver vários cercados ao mesmo tempo, é possível ver os entornos do parque. Dos cercados, o que mais chamava atenção era o de um par de ursos marrons. Um dele parecia bastante revoltado, batendo na porta do cercado como se quisesse destruí-la. Seu amiguinho já parecia bem mais tranquilo, o que me permitiu tirar vários retratos. Depois entendi o porquê da revolta: ele queria apenas ir para a parte maior do cercado. Só não entendi se eles fazem uma espécie de rodízio entre os vários grupos de animais ou se ele estava fechado para alguma manutenção.
Fiquei um pouco desapontado pois não consegui ver alguns felinos e a raposa vermelha, mas ainda consegui presenciar uma família de ursos comendo e um grupo de lobos brincando. A família era constituída por uma mãe e três filhotes (muito graciosos, obviamente) e já os havia avistado quando estava nas plataformas elevadas. Mas quando eu passava por uma das ruas inferiores notei uma aglomeração formando-se; fui ver e notei que funcionários estavam jogando dúzias de maçãs e outras guloseimas para eles. Infelizmente, as grades atrapalharam um pouco nas fotos, mas a óptica tornou o resultado bem interessante.
Enfim, antes de ir embora, fui despedir-me dos ursos polares, que estavam dormindo (não consegui avistar o pobre galão de plástico).
O ônibus de volta a Mora foi igualmente pontual e, como o percurso era mais demorado, pude até tirar uma soneca. Ainda tinha bastante tempo antes de meu trem para Stockholm, aproveitei então para almoçar, tomar mais um sorvete delicioso e passear pelo lago. Entrei também em algumas lojas, como a H&M, que notei ser preconceituosa até em seu país de origem, com cerca de 70% do espaço total dedicado à seção feminina.
Disse até logo para Dalarna e entrei no trem até Borlänge, onde eu peguei o trem que me levou até Stockholm. Muitas crianças foram embarcando no trem, imagino que para passar o final-de-semana na cidade grande. Notei que o trem fora restaurado, pois seu exterior lembrava vagões bem antigos, mas o interior era bem moderno e confortável.
A chegada em Stockholm foi tranquila, ou melhor, como esperado. A cidade é bastante agitada (principalmente sexta-feira à noite - no caminho até o albergue via boates por todos os lados), bem indicada e me pareceu, já à primeira vista, um tanto cosmopolita. As impressões visuais que tive nesse dia restringiram-se ao metrô, pois já estava tudo escuro e não se via muita coisa na rua. Sobre o metrô, me pareceu razoavelmente limpo, fresco e com estações bem decoradas (inclusive vi outro dia uma reportagem falando sobre o metrô de Stockholm, que em algumas estações lembra um museu de arte).
Não foi difícil chegar ao albergue, mesmo no escuro, pois tinha um bom ponto de referência: ele ficava parcialmente em um barco antigo atracado em uma das ilhas principais que formam Stockholm. Infelizmente, não consegui acomodação no barco. Tive que ficar em um mega-quarto no sótão do prédio principal (terceiro andar, se não me engano, e sem escadas), com cerca de 16 camas (os safadinhos não mencionam isso na hora da reserva). Como já mencionara e como podem imaginar, a noite de sono não foi nem um pouco parecida com as últimas que estava tendo.
Mas a perspectiva de conhecer uma das mais lindas cidades do mundo foi suficiente como consolo.

Arrivederci!!!

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