Oi pessoal!
Muito tolo da minha parte pensar que aqueles contrôleurs no T3 seriam minhas últimas desventuras nos transportes parisienses. Na volta de minha viagem, tive uma ótima surpresa, uma das melhores que o RER B já me proporcionou.
Sempre que volto de viagem pelo aeroporto CDG à noite, fico um pouco apreensivo com a hora, pois já tive que correr várias vezes para não perder o último trem em direção ao sul. Desta vez não foi diferente: assim que vi que meu voo estava uma hora atrasado em Helsinki, comecei a fazer minhas contas para ver a que horas chegaria em Paris. Em princípio, ainda tinha uma certa margem, pois ele deveria chegar por volta das 23h30 e o último trem sai pouco depois da meia-noite. No entanto, nem tudo correu como eu queria.
Primeiro, o avião demorou 15 min para chegar da pista de pouso até o terminal (desvantagens de low cost). Assim que chego nas esteiras para pegar minha mala, mais duas ótimas notícias: as malas demorariam mais 15 min para chegar e, por conta de trabalhos na linha, o RER B seria substituído por um ônibus das 23h à 1h até 2012 (sim, até 2012) no trecho em obras. Pelo menos aquela 1h me tranquilizou.
Chegando no terminal de ônibus (que não fica nada perto do terminal onde eu chegara), vejo um Noctilien preparando-se para receber os passageiros. Acontece que Noctilien não é ônibus de substituição, pois ele faz uma rota totalmente diferente da linha do RER B (quando há esse tipo de substituição, eles colocam um ônibus que para em todas as estações que o RER pararia, para facilitar correspondências), por isso fui perguntar para o motorista se aquele era o tal ônibus. Ele não soube me dizer. Nem os outros motoristas que estavam por lá (que, por sinal, nem sabiam que havia um ônibus de substituição). Percebi que o dito cujo não operava mais àquela hora (0h10).
Isso me deixou profundamente irritado, pois eu não teria a menor chance de pegar o RER B depois do trecho em obras e consequentemente teria de pegar outro Noctilien para chegar em casa. Isso em Gare du Nord, a pior região da cidade.
Obviamente, eu não era o único na situação, e apenas uma parte das pessoas que estava lá conseguiu entrar no ônibus (assentos limitados). Falta de informações, motorista mal educado e que nem falava inglês. Lembrem que estava em um aeroporto internacional, na cidade que recebe mais turistas do mundo. É realmente uma vergonha. À medida que o ônibus passava por outros pontos, eu só via mais e mais pessoas que teriam de esperar mais uma hora pelo seguinte, pois ele estava lotado.
Cheguei em Gare du Nord, não recebi resposta do motorista mal educado sobre onde era o ponto do outro ônibus e fui me virar. Naquela região linda (única que me dá medo em Paris). A sorte é que sei como funciona o sistema de transportes da cidade e sei ler francês, pois consegui até que rapidamente encontrar um ponto que mostrava o local do meu ônibus. Daí para frente, não houve mais imprevistos. Cheguei na casa de meu amigo (lembrando que eu era sem-teto) às 2h30, 3h depois de aterrissar em Paris. Ou seja, demorei mais para fazer o trajeto CDG - Cité Universitaire que o trajeto Helsinki - Paris (~2h30).
Foi a recebida calorosa da cidade para meus quatro últimos dias.
Tschüss!!!
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