terça-feira, 7 de setembro de 2010

14/08/2010: Stockholm

Oi pessoal!

16º dia de viagem: verão, ilha do barco, ilha velha, Nobel, KFUK-KFUM, ilha dos cavaleiros, funerária, pedra do norte, comércio, manifestação, terraço da cultura, castelo da rainha, português, visita guiada, balões.

Depois de uma quente, abafada e barulhenta noite, acordei de madrugada com pessoas levantando-se para fazer check-out. Enrolei um pouco ainda na cama, mas quando vi o céu azul e o sol entrando pela claraboia, animei-me para levantar.
Depois de um café-da-manhã bem saudável (torradas suecas com cream cheese e uma maçã), fui dar uma volta pela ilha onde fica o albergue, a Skeppsholmen (ilha do barco - barco do albergue). Estava super cedo (não eram nem 7h), por isso a ilha estava quase vazia e a temperatura estava agradável (uns 20ºC). Durante minha caminhada, encontrei um fungo gigante em uma árvore, uma teia de aranha enorme cheia de presas perto de uma grade (quando eu encontraria isso em São Paulo?) e passei por alguns dos pontos mais turísticos dela, como uma fortaleza ("cuidada" por soldados do sexo feminino), o Moderna Museet, o Arkitekturmuseet e o Östasiastiska Museet (só viria a visitar o primeiro).
(fotos Skeppsholmen)
Da ilha do barco fui à ilha velha, a Gamla Stan, onde, como o verdadeiro significado do nome (centro velho) indica, ficam as construções mais importantes historicamente para a cidade. É um lugar espetacular, cheio de casarões muito bem conservados e com estilo arquitetônico bem particular, além de outras construções maiores e mais importantes, como o Kungliga Slottet (Palácio Real), a Storkyrkan (Grande Igreja) e o Nobelmuseet (que fica na Academia de Ciências). O Kungliga Slottet e a Storkyrkan eu deixei para visitar no dia seguinte (dica de viajante: se o dia está bonito, aproveite para caminhar e apreciar os exteriores; se está ruim, aproveite os museus, igrejas, restaurantes, lojas etc.), por isso todos os detalhes culturais ficarão para depois, mas neste dia presenciei uma cena engraçada: bem na entrada principal do palácio, vi uma turista "paquerando" o guarda do palácio, que descobri ser armeno e bem pouco concentrado em seu trabalho. Já o Nobelmuseet eu não cheguei a visitar, por falta de tempo, mas posso dizer que é lá onde ocorre a decisão dos premiados (a entrega ocorre em outro prédio histórico de Stockholm, que mencionarei em breve). Outro destaque de Gamla Stan é a Skeppsbron (ponte do barco), que na verdade é uma avenida marginal, do lado leste da ilha, onde a concentração de casarões é bem grande. Entre eles está a sede da KFUK-KFUM sueca. O nome era familiar, depois de um tempo consegui lembrar onde o vira: no albergue em Ålesund. Mas só descobri depois de voltar o que era a tal da KFUK-KFUM (o que me atraiu foi o nome engraçado): uma associação de apoio a jovens, uma espécie de grupo de escoteiros. Enfim, vale lembrar que os detalhes de Gamla Stan também merecem atenção, como as cabines telefônicas e as "placas" com os nomes dos restaurantes, bares, lojas etc..
Na parte oeste de Gamla Stan encontra-se a Riddarholmen (ilha dos cavaleiros). Lá se destacam dois pontos: a Riddarhuset, casa (na verdade, um petit château) dos nobres/cavaleiros que abriga brasões de mais de 2000 famílias suecas; e a Riddarholmskyrkan, pequena e bela igreja que visitei e que abriga as tumbas dos principais monarcas suecos. Ela é uma das construções mais antigas de toda Stockholm, e lá estão as tumbas de todos os monarcas suecos desde Gustav II Adolf, com exceção da rainha Kristina (enterrada na Basilica di San Pietro) e do rei Gustaf VI Adolf (pai do atual rei da Suécia). O avô de Gustav II Adolf, o famoso Gustav Vasa (lembram dele?), também não está lá (ele fica em Upsala).
Depois de tanta cultura antiga, fui em direção à parte mais nova de Stockholm, Norrmalm (pedra do norte), que - pasmem - fica ao norte de Gamla Stan. No caminho, passei pelo Riksdagshuset (Parlamento), uma bela construção neobarroca que infelizmente não consegui visitar.
Não era meu objetivo neste dia conhecer Norrmalm inteira. Meu plano era aproveitar a tarde ensolarada (e quente - mais de 30ºC!) no belíssimo Drottingholm slott. Mas no caminho até o T-bana (abreviação de Tunnelbana, o metrô de Stockholm) pude ver bastante coisa já. Passei basicamente por duas ruas, a Drottninggatan (rua da rainha) e a Klarabergsgatan. A primeira é uma rua exclusiva de pedestres, cheia de lojas (principalmente para turistas), restaurantes e pessoas. Muitas pessoas. Foi nessa rua que comprei minha bandeira da Suécia. Ela cruza com a segunda, perto de Sergels torg (torg = praça), a praça central de Stockholm, nomeada em homenagem ao escultor Sergel que possuía um ateliê na região. Muitos consideram-na a região mais feia de Stockholm, pela arquitetura mais moderna e pelas ruas mais largas, aos moldes "americanos". Eu acho a classificação injusta. O estilo das construções é diferente, não podemos chamá-lo de feio. Pelo contrário, gostei bastante da praça. Quando passei por lá, havia algum tipo de manifestação cultural, uma espécie de workshop a céu aberto, diferente de tudo que já tinha visto. Enquanto eu observava e tentava entender o que acontecia, um senhor completamente aleatório me abordou e me falou do terraço da Kulturhaus, de onde se tinha, de acordo com ele, uma bela vista dos entornos. Segui seu conselho e entrei na casa de cultura, uma espécie de Centre G. Pompidou, que abriga mostras de arte contemporânea, restaurante, livraria etc. e um terraço. O terraço, na realidade, é parte do restaurante, mas o acesso a ele é livre e estimulado. A vista da Sergels torg é realmente muito legal.
Depois de todas essas atividades, não era nem 12h (lembrando que comecei meu passeio antes das 7h), mas minhas pernas e meu estômago reclamavam. Aproveitei o almoço para descansar um pouco também e depois fui ao ofício de turismo, onde peguei folhetos muito legais sobre muitas atrações turísticas de Stockholm. Abro um parêntesis para uma confissão (na verdade, alguns já sabem disso): sou viciado em folhetos turísticos. Se pudesse, traria todos que peguei, mesmo daqueles lugares que não visitei. Mas infelizmente a vida é cruel e as companhias aéreas são mesquinhas e não me deixam transportar quilos ilimitados de papel. Fecha parêntesis.
De lá, segui pela Klarabergsgatan até a T-Centralen, estação central de metrô de Stockholm. Depois do metrô, ainda tive que pegar um ônibus até o castelo, no total estimo que o trajeto leva cerca de 30 min. No meu caso, foi um pouco prolongado por uma interrupção misteriosa no trânsito, quando o ônibus estava em cima de uma ponte. Para os que têm recursos (dinheiro e tempo) sobrando, é possível fazer o trajeto de barco, o que deve tornar o passeio mais agradável ainda. Eu fiquei bastante contente chegando de ônibus mesmo.
Drottingholm slott é um ponto obrigatório em Stockholm para os viciados em castelos como eu. O castelo, considerado como o Versailles sueco, serve até hoje como residência para a família real durante o verão, por ser considerado frio. Naquele dia, ele estava bem longe de frio. Certamente foi o dia mais quente de minha viagem. Apesar do sofrimento, poderei falar que faz, sim, mais de 30ºC na Escandinávia!
Voltando ao castelo, comecei o passeio pelos jardins. Muito bem cuidados e com várias fontes (ligadas ininterruptamente, ao contrário das homólogas eco-chatas francesas), eles lembram mesmo o domaine de Versailles, principalmente por causa de seus bosquets. Além dos jardins, destaca-se no parque o Kina slott (Pavilhão chinês), um simpático casarão em "estilo oriental".
Antes de visitar o interior do castelo, descansei um pouco sob a sombra das árvores. Lembro agora de um fato curioso: encontrei um moçambicano durante o passeio, que não sei como descobriu que eu era brasileiro (não lembro de estar ostentando nenhum símbolo nacional nem de falar sozinho em português...).
Durante a visita guiada, aprendemos muitas curiosidades e fatos sobre o castelo. Por exemplo, ficamos sabendo que ele foi construído no século XVI no estilo barroco-rococó (que os suecos parecem tanto adorar) pelos arquitetos Tessin pai e filho a pedido da rainha Hedvig Eleonora. Durante a visita, passamos por uma sala bem interessante onde há retratos de vários monarcas da época (de outros países) e também por uma biblioteca bem grande (a rainha era muito amiga de Carolus Linnaeus, biólogo considerado pai da Taxonomia).
Depois da visita, fiquei mais um pouco no jardim e então peguei o ônibus de volta a Stockholm. Estava cansado e já era um pouco tarde (17h), então fui direto para o albergue. Tomei banho, jantei e fui apreciar o belo pôr-do-sol. Ou melhor, o quase-pôr-do-sol, porque o sol demora muito para se pôr, mesmo quando está perto do horizonte. O céu estava muito bonito, avermelhado, e havia até balões sobrevoando a cidade-arquipélago!
Foi um dia excelente: tempo bom e muitas atrações.

À plus!!!

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