Oi pessoal!
10º dia de viagem: rainha, asilo, teto solar, patriotismo, au revoir, banho de sol, pirata, desconforto, coincidência.
Acordei com o som das gaivotas, bem cedo, e aproveitei para dar uma volta pelo outro lado do vilarejo monossilábico. Tinha algum tempo antes do ônibus que pegaria até Reine, outro belo vilarejo, a cerca de 20 minutos de Å. Tirei mais algumas fotos e me despedi de Å.
Reine fica em uma espécie de península e é razoavelmente maior que Å. A cidadezinha me pareceu menos turística, com várias residências, um posto de gasolina, uma galeria de arte e até um asilo (acho que era um asilo). Mas os varais de bacalhau estavam por lá. Encontrei também muitas casas cobertas de "mato" (até hoje não descobri a função) e muitas bandeiras da Noruega. Acho que esqueci de comentar, mas senti que os noruegueses são bastante patriotas. Há bandeiras por todo lado, principalmente aquelas em formato mais alongado, como uma fita.
Em Reine despedi-me do casal francês (sim, eles me seguiram até no ônibus e eu os encontrei até em Å), que iria continuar suas aventuras acampando do outro lado do arquipélago (mais selvagem e sob maior influência dos ventos oceânicos). Eu tinha bastante tempo lá, então aproveitei para tomar [mais] um pouco de sol. Se tivesse um gramado, acho que ficaria por lá mesmo. Como não tinha, continuei minha viagem rumo a Stamsund, passando por Leknes, uma das duas únicas cidades de verdade em Lofoten.
Eu não tinha nada para fazer em Leknes, mas fui obrigado a passar por lá por conta dos horários dos ônibus. Confesso que fiquei bastante entediado, além de passar um pouco de frio, pois o sol estava escondido atrás das nuvens. O pouco que vi de Leknes me deu a impressão de uma cidade fantasma. Uma coisa é um vilarejo com poucas pessoas: você acha charmoso, bonito, pois a natureza fica com maior destaque. Mas uma cidade, com ruas de verdade, com poucas pessoas circulando é um pouco triste. Mas é verdade que era domingo e que, no verão, as pessoas não costumam ficar em suas casas. Talvez normalmente seja um pouco mais movimentado.
Quando meu ônibus finalmente chegou, antes de embarcar fui abordado por mais uma francesa, que quando descobriu que eu era brasileiro pediu meu e-mail, pois disse que queria vir ao Brasil e, assim, poderia me perguntar várias coisas. Fiquei um pouco sem graça, mas ela não parecia nenhuma terrorista, então eu dei. Até hoje, não recebi nada estranho...
Cheguei em Stamsund por volta das 18h30, mas ainda estava bastante claro (e ensolarado). Foi o albergue mais exótico em que fiquei até hoje. Além de parecer uma casa de pescador por fora, parecia por dentro também. Na verdade, não parecia, era. Isso significa que o acesso à tecnologia era bem limitado. Poucos acessórios elétricos, cômodos apertados etc. O dono era uma figura, parecia um pirata aposentado. Falando, pode parecer muito bonito, mas a verdade era que senti falta de um pouco de conforto. Tem gente (mochileiros de verdade) que adoram esse tipo de acomodação. Eu não sou uma delas. Apesar de ser bem tolerante, há certas coisas que fazem falta. Quando fui tomar banho, por exemplo, reparei que a água não esquentava. Quase gelei: "só faltava não ter nem água quente para tomar banho!" Felizmente, apenas não notei que era necessário colocar uma moeda de não-lembro-quantas coroas para acionar a água quente. Menos mal, vocês devem estar pensando. Verdade, o único problema é que eu não tinha trocado, por isso tive que ir até um mercado trocar meu dinheiro. E quando voltei, tinha gente no banheiro de novo...
Quando fui preparar meu jantar (macarrão e camarões frascos, uma ótima combinação de carboidratos e proteínas), percebi que não havia panelas. Ainda bem que tinha um alemão (que eu viria a encontrar novamente) que me emprestou a sua.
Antes de ir dormir, descobri uma coincidência surpreendente. Um de meus colegas de quarto era de Karlsruhe, aquela cidade alemã que visitei em 2008 com meu professor-orientador de iniciação científica e onde amigos meus estudaram por um tempo. Na verdade, ele achou isso muito mais surpreendente que eu, pois disse que ninguém conhecia Karlsruhe e que ela era uma cidade muito pequena. Enfim, coincidências são sempre surpreendentes.
Tschüss!!!
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