terça-feira, 7 de setembro de 2010

05/08/2010: Ålesund - Geiranger - Hellesylt

Oi pessoal!

7º dia de viagem: cais, atraso, cruzeiro, "o fiorde", escalada, precipício, cachoeiras, casa branca, casa modulada, aurora.

A primeira semana de viagem terminaria com estilo: a bordo do famoso Hurtigruten, um cruzeiro que atravessa quase toda a costa da Noruega, de Bergen a Kirkenes, já na Rússia. Ok, antes que estranhem o fato de eu não mencionar a Rússia no roteiro da viagem, explico: o Hurtigruten passa por 34 portos ao longo da "mais bela viagem do mundo" (de acordo com a própria empresa) e é possível subir em qualquer um deles e descer e qualquer outro. Para os interessados, a viagem de ida (Bergen - Kirkenes) dura 7 dias e custa a partir de €600. A €600, eu acho que até vale a pena, já que inclui acomodação e pensão completa, o único problema é que você não pode sair do barco para visitar todas as cidades.
A partida estava prevista para as 9h30, por isso às 9h já estávamos no cais esperando o barco. O tempo ainda estava muito bom, com nuvens bem bonitas no céu, mas o vento estava um pouco frio. Ficamos tirando fotos enquanto o barco atrasado não vinha. Nessas horas, sempre passa pela cabeça se estamos no lugar certo, se não vimos a hora errada etc., não fosse a quantidade de pessoas esperando como a gente.
Quando o barco chegou, formou uma multidão em volta da escada de embarque/desembarque. Tinha bastante gente para entrar e, mesmo depois que entramos e que o barco partiu, demoramos bastante para fazer nosso "check-in". Depois de feito, deixamos nossas malas no "maleiro" e fomos andar pelo barco, que é relativamente pequeno (para aqueles que já fizeram um cruzeiro, esqueçam, o Hurtigruten está mais para uma balsa) e estava lotado. Não havia nem lugar para sentar. Como podem notar, minha impressão do barco em si não foi lá muito boa. Mas a viagem em si é fantástica.
O trecho Ålesund - Geiranger é requisitado pois passa pelo Geirangerfjord, o mais célebre dos fiordes noruegueses. Ao longo de toda a viagem, que dura cerca de 4h, o cenário é belíssimo, com montanhas de formatos diferentes, algumas com neve eterna (bem poucas), e muito pouco sinal da civilização. O barco anda bem devagar, o que poderia ser ruim se não estivéssemos em um dos mais belos lugares do planeta. A vontade que se tem, pelo contrário, é mandar o capitão desligar os motores e deixar o barco lá, parado, até cansarmos nossas retinas com o cenário. É um lugar que recomendo com "todas as estrelas possíveis" e a que certamente voltarei em ocasião futura.
À medida que chegávamos a Geiranger, as montanhas tornavam-se mais altas e o sol escondia-se atrás delas. No meio daquele fiorde imenso, você se sente uma formiguinha. Geiranger é uma cidadezinha privilegiada, mas que sofre com suas qualidades. Fica em uma das extremidades do Geirangerfjord e, por isso, é um dos locais que mais recebem turistas no país. Na cidade em si, não há quase nada, apenas alguns poucos hotéis, um centro de visitantes, algumas lojas, um espaço para camping e vários quiosques oferecendo atividades aquáticas.
Infelizmente, não tínhamos muito tempo na cidade, por isso tivemos que ser eficientes. Assim que chegamos, deixamos nossas malas no centro de visitantes e partimos para a subida do fiorde. Perto de Geiranger há um ponto de obervação tão famoso quanto o fiorde em si, o Flydalsjuvet. A caminhada é dura, demora mais de 1h (cerca de 4km) e exige força das pernas, pois você sobe umas boas dezenas de metros. Mas o caminho é muito agradável, cheio de verde, inclusive no teto das casas (algo típico na Noruega). Lá em cima, a vista é sensacional e se tem uma ideia de quanto se andou para chegar até lá. Na descida, fomos controlando nosso tempo, aproveitando o caminho para descansar um pouquinho, de vez em quando.
Em Geiranger não há albergues, por isso ao final do dia fomos para Hellesylt, a cidadezinha que fica na outra extremidade do Geirangerfjord. Pegamos mais uma balsa, na segunda vez em que eu passaria pelo Geirangerfjord. A balsa é bem turística, muito legal, com folhetos explicativos e até alto-falantes que vão indicando os pontos interessantes do percurso. Foi aí que aprendemos várias coisas sobre o fiorde. Uma delas, que achei muito interessante, é que há muitas fazendas abandonadas ao longo do Geirangerfjord. Pode-se vê-las e até visitar algumas delas. Mas abandoná-las é perder patrimônio cultural, por isso o governo lançou um programa de incentivo à sua ocupação. Ou seja, ele está pagando para pessoas aleatórias cuidarem dessas fazendas. Acho que quando me aposentar vou me candidatar, se o programa ainda estiver ativo.
Ficamos também sabendo nome de duas cachoeiras, uma de frente à outra. A primeira delas chama-se Suitor (cortejador), uma queda d'água única, e a outra se chama De Syv Søstrene (sete irmãs), composta por sete quedas d'água. Nomes muito sugestivos, não?
Assim que chegávamos a Hellesylt, fomos para o deque procurar por nosso albergue. Não tínhamos endereço nem mapa (nesse pedaço do planeta, nem o Google Maps ajuda), apenas a seguinte referência: "você pode ver o albergue do ferry - é uma casa branca com uma ótima vista de Hellesylt e do fiorde. Fica a 700 m, mas o caminho é inclinado." Acrescida da tipicamente hospitaleira nota: "se suas malas estiverem pesadas, ligue que vamos lhe buscar por nossa conta!"
Não conseguimos encontrar a tal casa branca, mas como não havia muitas opções, começamos a subir a estrada que levava às casas do "primeiro andar". Felizmente, encontramos alguém que aparentemente sabia o caminho e nos indicou como chegar ao albergue.
Albergue que, a propósito, entrou para a lista dos "interessantes". Isso porque ele possuía um pedaço que era um conjunto de casas moduladas, como naquelas obras, em que se coloca um contêiner sobre outro. Mas nós ficamos no "pedaço normal". No quarto, pequeno e aconchegante, havia um camarada de Taiwan, muito simpático por sinal, com quem jantamos e conversamos bastante. Apesar do frio, comemos na parte externa, sob um belo céu. Sem sol, mas claro e com nuvens coloridas, que nos fizeram lembrar das famosas auroras.

À plus!!!

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