terça-feira, 7 de setembro de 2010

09/08/2010: Stamsund - Henningsvær - Svolvær - Narvik

Oi pessoal!

11º dia de viagem: praia, mala abandonada, ioga, ferradura, bacalhau, peste, cenários, latitude máxima.

Um detalhe importante que esqueci de contar é que meu quarto no albergue em Stamsund ficava no primeiro andar da casa. Acho desnecessário mencionar que não havia elevadores, isso seria óbvio demais (acabei mencionando...). Mas o problema é que o acesso ao "primeiro andar" era por meio de uma espécie de alçapão, com uma escada do tipo móvel. Subir (e descer) aquilo com minha mala de trocentos quilos não foi fácil!
Em meu terceiro e último dia em Lofoten, eu pretendia visitar mais uma cidadezinha famosa, Henningsvær, além da maior cidade do arquipélago, Svolvær. Mas no meio do caminho decidi ficar um tempo em um dos pontos em que eu faria uma baldeação.
Infelizmente, não consigo lembrar o nome do lugar em que parei. O Google não conseguiu me ajudar, porque não era uma cidade nem um vilarejo. Estava no meio da estrada mesmo, com algumas poucas casas. O que me atraiu no lugar foi uma praia muito bonita, daquelas bem rasas, com água verde-claro. Para chegar até a praia, eu precisava atravessar uma rota bem estreita no meio do "mato", sobre pedras, por isso minha mala seria um grande empecilho. Pensei duas vezes e resolvi deixar minha mala em um "canto". Não havia quase ninguém por lá. Meu maior medo não era que a roubassem, mas sim que pensassem que era algo abandonado e que a jogassem no lixo. Felizmente, nada disso aconteceu.
Como acabei de dizer, o lugar era praticamente deserto, exceto por uma mulher fazendo uma espécie de ioga (fiquei bastante receoso em deixá-la envergonhada, visto que seus movimentos eram bastante ridículos) e um quarteto de turistas alemães na terceira idade com um cachorro muito obediente, que chegaram enquanto eu estava lá. Quando digo que fui à praia, talvez vocês imaginem algo como em Barcelona, quando fui preparado para me banhar, mas a verdade é que, desta vez, fui de tênis, calça e moleton com "touca". Estava bastante frio nesse dia, acho que foi o dia em que mais passei frio durante toda a viagem. Isso porque o céu estava bem nublado nessa hora e ventava um pouco. Estimo que fazia menos que 10ºC.
Eu fiquei na praia até meu outro ônibus chegar. Como estava no meio do nada, fiquei bastante receoso quando chegou a hora e nada do ônibus. Se ele não aparecesse, eu não tinha muita opção: era andar na estrada (eu não estava muito longe da cidade) ou pedir carona para um dos poucos carros que passavam por lá. Mais uma vez, felizmente nada disso aconteceu.
Não eram nem 10h quando já estava em Henningsvær. Esta cidadezinha tem um formato bem peculiar, formando uma espécie de ferradura, com uma montanha bem entre suas extremidades. Para evitar a fadiga, assim que cheguei deixei minha mala no ofício de turismo e fui de ponta a ponta da ferradura. A cidadezinha era repleta de barcos, uma vez que quase todas as casas davam para o mar, pois havia uma única rua na maior parte de sua extensão. Pelo que pude notar, Henningsvær é uma cidade "equilibrada", i.e., com um número compatível de residências e de comércio. Ou seja, parece que ela soube lidar bem com o turismo (até agora, pelo menos).
Almocei dentro do ônibus para Svolvær, o mesmo ônibus que me trouxera da praia-no-meio-do-nada. A este ponto, todos os motoristas da companhia local já me conheciam. Quando cheguei em Svolvær, o tempo estava excelente. Deu vontade de pegar minha mala e ficar por lá mesmo, de não ir embora de Lofoten. O céu estava completamente azul e o sol estava muito gostoso. Sabem aqueles dias de inverno em São Paulo, fresquinhos mas com bastante sol? Tirem o ar sujo completamente dégueulasse e voilà, era a atmosfera em Svolvær. A maior e mais importante cidade do arquipélago parece, à primeira vista, uma outra cidade norueguesa qualquer, com casas modernas, misturando diversos materiais de construção. Mas todos sabem que Svolvær está em Lofoten e que, ao virar uma esquina, poder-se-á avistar uma bela montanha emergindo do mar, com casinhas de pescadores de bacalhau e os bacalhaus propriamente ditos pendurados nos varais (bem, eu só vi os varais). Este é o charme de Svolvær.
Meu tempo em Svolvær foi suficiente para passear na feira da praça central, comprar um pacotinho de bacalhau seco (eu não poderia ir embora sem comprar o famoso bacalhau, não é?), subir até a igreja, tomar um pouco de sol no cais e tirar umas fotos. Falando em fotos, usei minha tática de me oferecer para tirar fotos de um grupo de franceses (que obviamente se espantou ao encontrar um brasileiro com cara de japonês falando francês na Noruega), para que então eles tirassem uma minha. Depois disso, tive que dizer ciao ciao a Lofoten e me contentar com as paisagens que via no caminho de volta ao continente, até Narvik. A propósito, as paisagens eram tão bonitas que dava vontade de pedir para o motorista do ônibus parar e me deixar ver um pouco melhor. O trajeto Svolvær - Narvik foi mais um entre os mais bonitos percursos de ônibus que já fiz.
Quando cheguei em Narvik, ainda estava cedo, cerca de 19h. O céu ainda estava claro, sem nuvens, mas o sol já não se via muito bem, escondido atrás das casas e das montanhas que cercam a cidade. Como eu teria bastante tempo no dia seguinte para conhecer a cidade, resolvi ficar no albergue - hotel descansando e me reconectando ao mundo. Aproveitei para me exibir no Facebook com a latitude máxima de 68°25′14″N a que eu chegara. Afinal, não sei quando chegarei tão perto do pólo norte novamente.

Hasta luego!!!

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