Oi pessoal!
8º dia de viagem: óptica, ouro, cachoeira, neve, pedrinhas, curvas, trolls, peste.
Este foi meu primeiro dia de viagem sozinho, pois minha companhia teve de voltar a Paris. Comecei com minha terceira e última passagem pelo Geirangerfjord, de volta a Geiranger, pela mesma balsa turística. O percurso me fez lembrar de aulas de óptica, combinando a reflexão das montanhas na água, a refração da luz do sol nas cachoeiras, formando mini-arco-íris, e a zona de penumbra bem nítida graças à névoa que ainda pairava sobre a água. Vejam vocês mesmos nas fotos abaixo.
(fotos fiordes)
Vocês talvez estejam curiosos para saber por que voltei a Geiranger. Passar mais uma vez pelo Geirangerfjord não foi o maior dos motivos. Na realidade, foi por simples questões logísticas: só havia acomodação em Hellesylt e meu ônibus seguinte partia de Geiranger.
A propósito, o trecho seguinte, conhecido como Golden Route, é mais um na lista dos imperdíveis. Ele começa um pouco antes de Geiranger e vai até Åndalsnes. Ele passa por diversos pontos de observação muito bons, como o Flydalsjuvet e o Dalsnibba, e também pelo Trollstigen, da qual falarei logo mais.
Assim que sai de Geiranger, ao nível do mar, o ônibus começa sua longa subida. Ele sobe, sobe e sobe até chegar a um outro ponto de observação, de onde se tem a vista abaixo do Geirangerfjord. Como a rota é turística, os ônibus já prevêem paradas de 5 minutos ou mais para fotos.
(fotos ponto de observação)
Depois o ônibus começa a descer, descer e descer até o nível do mar do outro lado da montanha, onde pegamos mais uma balsa. E mais uma vez ele volta a subir, passando por uma enorme cachoeira (parada para fotos) e chegando ao trecho mais emocionante da rota, o Trollstigen, ou caminho dos trolls. A essa altura (no sentido espacial e temporal), pode-se até ver neve, que imagino ser eterna (não parecia ter se formado recentemente). O ônibus faz uma longa parada nesse ponto, para podermos observar o tal do caminho dos trolls que nos espera pela frente. Antes de falar do caminho em si, uma observação: notei algo curioso por lá, que havia muitas pedrinhas empilhadas. Não sei direito a origem delas, mas imagino ser obra de turistas, como os cadeados presos à Pont des Arts e as marcas de beijo no túmulo do Oscar Wilde, no Père Lachaise. Do ponto de observação é possível também avistar, mais ao longe, Åndalsnes, onde se chega após enfrentar os trolls.
O maior atrativo do Trollstigen são suas curvas a quase 180º. No total, são 11, que, junto à inclinação da estrada, que chega a 9% (i.e., para 100 m na horizontal, a altura aumenta/diminui 9 m), permitem que um veículo vá do topo da montanha ao nível do mar em poucos minutos, sem nenhum grande impacto natural (pontes, túneis, viadutos etc.). Pode ser difícil acreditar, mas mesmo nosso ônibus consegui atravessar ileso as 11 curvas.
Depois de enfrentar os trolls, chegamos a Åndalsnes, onde eu tinha algumas horas para almoçar e passear antes de meu próximo trem. A cidade em si não tem nada de especial. Como estava chovendo, dei apenas uma volta bem breve pela cidade.
Além de estar no ponto final da Golden Route, Åndalsnes fica em uma das extremidades da Raumabanen, mais um percurso turístico norueguês. O trajeto dura cerca de 1h40 e vai até Dombås, em um simpático e moderno trem. Assim que você entra nele, uma atendente lhe entrega um folder com várias informações sobre o trajeto e, além disso, há também alto-falantes indicando os principais pontos de interesse. Entre eles, estão as várias pontes, o rio Rauma com salmões pulando (não vi nenhum) e a Trollveggen (parede dos trolls), a maior parede de rocha vertical da Europa, com 1100 m de altura. Infelizmente, peguei chuva no caminho todo, por isso as fotos não ficaram tão boas.
Na realidade, eu passei pela Golden Route e pela Raumabanen por "acaso". Quando estava planejando a viagem, procurei pelas diferentes opções de trajeto entre Geiranger e Lofoten e a que pareceu melhor financeiramente foi justamente passar por essas rotas turísticas. De Dombås, peguei um trem até Trondheim, terceira maior cidade da Noruega, de onde sairia meu trem noturno até Bodø.
Em Trondheim, eu tinha algumas horas entre os trens, mas como estava garoando, acabei esperando na estação de trem mesmo. Lá, encontrei um grupo de velhinhos e velhinhas franceses, que pegariam o mesmo trem que eu. Para mostrar que não é só brasileiro que é malandro: o banheiro da estação de trem era pago, bastava inserir uma moeda que a porta abria; assim, os espertinhos entraram em massa (que fique claro, o banheiro era do tipo de shoppings, com várias cabines individuais) depois que um deles pagou; minutos depois veio o segurança, mas era tarde demais, todos já tinham feito suas "necessidades".
O trem noturno era bem diferente dos que eu já tinha usado. Minha poltrona era inclinável (não era uma cama), bem espaçosa e havia várias cortinas que você fechava ao seu redor, de modo a te dar bastante privacidade. Tinha também um travesseiro, protetores de olhos (que guardo até hoje), cobertor, entre outras coisas. Excelente relação custo-benefício, paguei apenas 299 NOK (cerca de 40€ ou R$ 90) para todo o percurso de Åndalsnes até Bodø, uma verdadeira pechincha.
Bis bald!!!
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